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Secretário de Meio Ambiente fala sobre a necessidade de destinação correta dos resíduos sólidos 

09 de junho de 2019

“Nosso planeta tem recursos finitos e temos que encontrar o equilíbrio”, ressaltou o engenheiro Ambiental, Vinicius Yugi Higashi.

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Em função do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho, vários municípios desenvolvem ações durante a próxima semana com o objetivo de chamar a atenção para a conscientização e a preservação ambiental. Paranaguá contará com uma programação especial, de 10 a 15 de junho, no Aeroparque, e também realizará ações focadas em escolas em comemoração à data.
Quem contou sobre essas atividades, além de traçar um panorama sobre a questão do descarte de lixo e do desafio de equilibrar o desenvolvimento urbano e preservação ambiental em uma região com tantos ecossistemas diferentes, foi o secretário municipal de Meio Ambiente, Vinicius Yugi Higashi. Formado em Engenharia Ambiental pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), em Londrina, e com uma especialização em andamento na área de Gestão Sustentável, Vinícius é funcionário concursado da Prefeitura de Paranaguá e, desde o início do ano, está à frente da pasta. Confira:


Folha do Litoral News: Na quarta-feira, 5, foi celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A Secretaria preparou uma programação especial para esta semana?
Vinícius:
Temos uma programação já montada com gincanas e atividades, com abertura na segunda-feira, às 9h. Temos o projeto Escola na Semma e Semma nas escolas, que começou com o ex-secretário, o Raphael Rolim, e todos os dias temos uma gincana ecológica com doação de mudas e plantio de árvores. Acho essencial integrar o público infantil, percebi que há uma questão na cidade quanto à destinação de resíduos sólidos e Paranaguá precisa evoluir muito nesse aspecto em especial. Se plantarmos essa semente nas crianças, elas vão levar para toda a vida e para dentro de casa. Esse programa foi uma ideia genial, capaz de realmente mudar a realidade da cidade a longo prazo.

Folha do Litoral News: Como tem funcionado a coleta de lixo reciclável no município? A população está consciente quanto à destinação correta desses resíduos?
Vinícius:
Estou na secretaria desde 2015, logo que começou a coleta seletiva por meio da empresa que faz hoje, que é a PAVI Ambiental. De lá para cá, anualmente, os índices têm melhorado, mas percentualmente, se compararmos com uma literatura específica do pessoal que estuda resíduos sólidos, a gente percebe que está bem baixo. Ainda estamos longe do que poderia ser. A coleta seletiva hoje trabalha de segunda à sexta-feira, nos horários específicos em cada bairro, e o que falta mesmo é a conscientização da população para começar a entender. Não digo nem separar por classe, só separar reciclável de não reciclável já está ótimo. O material recolhido vai para duas associações, a Assepar, na Vila Santa Maria, e a Nova Esperança, na Ilha dos Valadares.

Folha do Litoral News: A grande quantidade de lixo jogado nas ruas em Paranaguá, principalmente em terrenos baldios, ainda é bastante comum, mesmo com toda a problemática da dengue. Qual a visão da secretaria para esta questão que envolve tanto a saúde pública, quanto o prejuízo ao meio ambiente?
Vinícius:
Se cada um fizer o seu, é possível resolver esse problema em toda a cidade. Muitas vezes, esses terrenos têm proprietários e é complicado para a secretaria fazer esse trabalho, porque é uma incumbência dos proprietários. Temos casos, embasados juridicamente, onde a gente tem um potencial inerente à saúde pública, e podemos intervir. Mas cada um precisa fazer o seu, cuidar do seu terreno, manter bem capinado e não deixar utensílios que acumulem água. Tem alguns pontos da cidade já conhecidos onde há lixo acumulado. Colocamos caçambas em alguns locais e o problema, às vezes, piora, ao invés de melhorar, as pessoas acabam jogando o lixo em volta. Mas temos que trabalhar nessa linha, a prefeitura não tem perna para cuidar do lixo de todo mundo, as pessoas têm que colaborar.

Folha do Litoral News: Como conciliar desenvolvimento urbano e preservação ambiental em Paranaguá?
Vinícius:
É um grande desafio. Quando cheguei em Paranaguá, o pessoal da equipe técnica já me disse que esse seria um grande desafio, porque as áreas que não são de beira de rio, de manguezal, restinga ou Mata Atlântica, por isso é complicado. A gente tem que trabalhar sempre visando ao crescimento, mas o caminho é o equilíbrio. Temos uma questão fundiária, de habitação, que sofremos muito em Paranaguá. É preciso pensar em uma forma de criar moradias para essas pessoas, muitas vezes elas vão a esses locais por falta de opção mesmo. Teremos que criar um loteamento popular, há estudos a respeito disso com a Secretaria de Urbanismo, alguma nova área para habitação porque nesses casos se enquadra na utilidade pública. Quanto a empresas particulares, a gente incentiva a seguir o que está na lei, que é primordialmente a alternativa locacional. Se tem uma área que já possui terraplanagem, que já está sem árvores, preferencialmente ocupar essas áreas. Se precisar haver o desmatamento, é muito mais difícil. Não só Paranaguá, mas o Brasil como um todo e o mundo sofre com o desenvolvimento sustentável, que deve ser neste século o que mais será recorrente na economia. Estamos em um sistema capitalista, de produção cada vez maior, mas o nosso planeta tem recursos finitos e temos que encontrar esse equilíbrio.

Folha do Litoral News: Com relação ao atendimento veterinário disponibilizado pela prefeitura, como a população pode ter acesso e como funciona o serviço móvel?
Vinícius:
Trabalhamos na nossa sede, das 13h às 17h, e o tratamento móvel segue um itinerário que muda a cada mês. Preferencialmente, atendemos os bairros que têm uma classe social inferior ou regiões de difícil acesso para onde vamos com a van. 

Folha do Litoral News: A secretaria recebe muitas denúncias de maus-tratos a animais? Quais medidas são aplicadas nesses casos?
Vinícius:
Recebemos muitas. Inclusive na última semana recebemos uma e quando fomos atender, infelizmente, um cavalo veio a óbito devido às condições. Tivemos uma ação pontual de recolhimento de cavalos na Ilha dos Valadares, em parceria com a Ecovia, que nos doou um carrinho para buscar esses animais. Muitas denúncias chegam através das redes sociais, não temos um Facebook oficial para atender, mas como acaba gerando repercussão, chega até nós. 
Folha do Litoral News: Quais os projetos da secretaria para este ano?
Vinícius: Dentro na área de veterinária, iremos iniciar um projeto de castração. Teremos três grupos de animais que poderão ser castrados, os que estão tutelados nas dependências da Semma, onde temos uma pequena área para que os cachorros sejam recuperados, aqueles que são tutelados por ONGs e para famílias em situação de vulnerabilidade, que recebem até três salários mínimos. Ainda vamos emitir um decreto para regulamentar o processo dentro da prefeitura para ter um controle. É um projeto bacana que deve ser divulgado, temos muita coisa acontecendo na parte técnica, mas que não tem o contato tão direto com a população. Temos em andamento um plano de arborização, medição de sedimentação de alguns corpos hídricos, porque desde o desastre de 2011 mudou toda a dinâmica dos sedimentos que descem da Serra da Prata, estamos tentando reformar a estação de transbordo de resíduos sólidos da Ilha do Mel. São vários projetos em andamento, mas que ainda não estão aos olhos da população. 
 


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