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Entrevista

Presidente do IHGP destaca a importância da entidade para a cidade Mãe do Paraná

Diogo Alves destaca que o sodalício se mantém através do tempo como um dos guardiões da cultura, geografia e história de Paranaguá e do Estado do Paraná

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Diogo Rodrigues Alves possui uma carreira de 55 anos, tem formação em Publicidade e atuou nos Estados de Santa Catarina, São Paulo e Paraná por mais de 35 anos. Há 17 anos em Paranaguá, buscou ao chegar à cidade, um aprimoramento educacional e se graduou na Unespar em História, depois continuou estudando através da especialização em Gestão Contemporânea da Cultura e Museologia. Diogo já esteve à frente da Casa da Cultura, Casa Brasílio Itiberê e Casa da Música, além de administrar a área do artesanato em Paranaguá. 
Atualmente, é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP). A entidade foi criada em 26 de setembro de 1931, tendo como fundadores Zenon Pereira Leite, Antero Régis, Vicente Nascimento Junior, dentre outros, que contribuíram para que hoje o sodalício tivesse um valioso acervo, com uma importante biblioteca com mais de dois mil exemplares, sendo que alguns já foram digitalizados, a fim de serem utilizados para pesquisas. O legado que o IHGP deixa para a cidade de Paranaguá é a preservação da memória de sua história e cultura.
Nesta entrevista, Diogo fala sobre o funcionamento do IHGP e dos desafios atuais enfrentados para mantê-lo atuante como um dos pilares da cultura e história de Paranaguá. Confira:  

Folha do Litoral News: Como avalia a importância do IHGP para a preservação da cultura e história do Paraná?

Diogo: É de primordial importância. O Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá se mantém através do tempo como um dos guardiões da cultura, geografia e história de Paranaguá e do Estado do Paraná, sendo uma fonte de pesquisa não só para os paranaenses, mas para acadêmicos e professores de vários locais do País, que nos procuram. Existe o Instituto Histórico do Paraná, mas no nosso possui um acervo riquíssimo de documentos e peças, dentre eles a assinatura de Dom Pedro II em livro quando sua estada em Paranaguá, no Clube Literário, 14 obras retratos de personalidades parnanguaras pintadas por Alfredo Andersen, marco da colonização em pedra de cantaria, entre outras peças que compõem o nosso acervo.

Folha do Litoral News: Como foi composto este valioso acervo? 

Diogo: O acervo do IHGP foi composto por doações das famílias tradicionais do município, que acabaram dando este destino para que este material fosse preservado e conservado. Possui em seu importante acervo livros, jornais, porcelanas, armas, moedas, instrumentos de trabalho e peças de mobiliário dos séculos XVII e XVIII, que representam diferentes momentos da história. Isso fez com que ficássemos com um gabinete de curiosidades, que é composto por inúmeros itens, com destaque a imagem de Nossa Senhora das Vitórias e o canhão corsário francês, que naufragou na ponta da Ilha da Cotinga em 1718, encontrado em 1963, por membros da Sociedade Geográfica Brasileira. Também alguns itens foram adquiridos, mas 99% das peças que compõem o acervo chegaram através de doações. 

Folha do Litoral News: O Museu da Imagem e do Som (MIS) do IHGP possui uma grande quantidade de material fotográfico. O que o senhor destacaria? 

Diogo: O IHGP também possui um acervo digital, que está sob a guarda do Museu da Imagem e do Som (MIS). Temos um trabalho maravilhoso realizado pelo Dr. José Maria de Freitas, que vem fazendo desde que o MIS foi criado no instituto. Ele digitaliza de uma forma muito própria toda a documentação que entra no IHGP. E temos que destacar que inclusive faz isso com seu equipamento e com carinho muito grande, e depois de pronto disponibiliza a todos, sendo atualmente o principal responsável pela riqueza deste acervo que também compõe o IHGP.  

Folha do Litoral News: O prédio do sodalício precisa passar por uma revitalização. O que a atual diretoria está fazendo para que ela aconteça?

Diogo: Existe um documento que estamos providenciando junto à Receita Federal, e que devemos estar solucionando este impedimento no dia 20 próximo, para que possamos desenvolver um projeto que está em estudo da restauração de todo o prédio onde temos a nossa sede.   

Folha do Litoral News: Além de presidente do IHGP, o senhor também é restaurador. Como está a procura por este serviço no município?

Diogo: Como todo trabalho de restauração, temos um mercado restrito. Acredito que aqui em Paranaguá devemos ter em torno de três a quatro restauradores, que tenho conhecimento. Não posso me queixar, pois estou com trabalhos em andamento, que são 18 telas de um cliente muito especial, que são retratos de personalidades parnanguaras pintados pelo artista Rafael Silva, entre 1942 e 1947, e este é um trabalho que desenvolvo no ateliê. Mas sei também que outras estão com trabalhos em andamento.  Ou seja, a restauração está fluindo e sendo procurada. 

Folha do Litoral News: Que mensagem o senhor deixa à população quando se fala em cultura, história e arte?

Diogo: Estou em Paranaguá há 17 anos, e assim que cheguei me deparei com um colonial português maravilhoso. Tem uma mescla de influência árabe e de outras etnias que ainda estão em Paranaguá contribuindo para o crescimento do município. Na minha opinião, nesta área precisa ainda, ou carece de estudos, o pertencimento. A grande maioria da população nasceu aqui, cresce aqui, estuda aqui, trabalha aqui, e o que ele vê é algo comum, mas temos um grande acervo cultural e histórico. Este é um sentimento que temos que avivar em cada um, para que a população tenha este entendimento da salvaguarda deste patrimônio. Mesmo que este patrimônio não lhe pertença como pessoa física, ele trata o patrimônio com respeito, consideração e zelo, pois agrega valor à imagem da cidade onde mora. Com isso traz o turismo, que traz receita, que obviamente se beneficia com este turista e com a receita. Vejo isso e acompanho diariamente esta dificuldade, mas também vejo que há a necessidade de uma união forte de todos para que tenhamos uma ação que venha a beneficiar a todos os atores envolvidos nesta preservação bem como a população, sem a necessidade da participação ou incentivo do gestor público, precisamos ter esta iniciativa que tenho a certeza de que beneficiará a todos. Posso dizer isso, pois estou ampliando o meu ateliê, para a Rua XV de Novembro onde terá uma minigaleria aberta ao público e aos artistas que ali quiserem expor. Agradeço a oportunidade de mais uma vez estar falando do trabalho que realizamos em prol da cultura, da história e da arte da cidade mãe do Paraná.

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