Logotipo

“Poder estar novamente representando minha cidade, meu Estado e o meu País em  uma Olímpiada é incrível”, enfatiza Ágatha 

01 de dezembro de 2019

Atleta de vôlei de praia, Ágatha Bednarczuk Rippel é medalhista de prata das Olimpíadas de 2016

Compartilhe

Ágatha Bednarczuk Rippel, medalhista de prata no Rio-2016 e campeã mundial de Vôlei de Praia, garantiu antecipadamente vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. 
Em sua carreira, Ágatha já conquistou vários títulos, dentre eles em 2015, de maneira invicta, o Campeonato Mundial de Vôlei de Praia em Haia, na Holanda, garantindo também o título de MVP (melhor jogadora) do torneio. No mesmo ano, também alcançou o lugar mais alto do pódio no Circuito Mundial. 
Em 2016, viveu o ponto mais alto de toda a carreira, conquistando a medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. 
Atualmente, ao lado de Duda e sob o comando do técnico Marco Char, a atleta faz parte da equipe brasileira que mais subiu ao pódio no Circuito Mundial 2017. 
Em 2018, a dupla conquistou alguns títulos, garantindo o ouro na etapa de Itapema, prata em Moscou e o bronze em Varsóvia pelo Circuito Mundial, resultados que deram à equipe o título da temporada. Além disso, foram campeãs do World Tour Finals.
Nesta entrevista, Ágatha, que está passando férias com a família em Paranaguá, conversou com exclusividade com a Folha do Litoral News, destacando o Festival de Encerramento das Atividades do projeto de vôlei de praia que desenvolve em Paranaguá, do qual é madrinha, e será realizado no domingo, 1.º, a parceria de sucesso com Duda Lisboa e o que os brasileiros podem esperar da dupla em Tóquio. Confira: 


Folha do Litoral News: Domingo acontece o Festival de Encerramento do projeto do qual você é a madrinha. Conte como será esta grande festa.
Ágatha:
Tradicionalmente realizamos esta festa no fim do ano. É um festival de encerramento das atividades para fechar o ano. Escolhemos esta data, 1.º de dezembro, mais pelo meu calendário pessoal, do que do projeto. Apesar de realizarmos a festa no domingo, o projeto continua com as atividades até o fim do mês de dezembro, parando próximo ao Natal. Mas como esta era uma data em que poderia estar aqui em Paranaguá, e infelizmente este ano devido aos compromissos não vim muito à cidade, não pude estar pertinho do projeto, então pedi para ser realizada em uma data que pudesse estar, pois, como sempre, quero ver todo mundo, quero curtir e para mim é muito importante este contato com os alunos do projeto e com as pessoas daqui. O projeto não é algo que criei e larguei, ao contrário, mesmo estando longe, falo diariamente com as pessoas que trabalham aqui e acompanho o que está acontecendo e sendo realizado, e atuo mesmo. E será um festival como todos já estão acostumados, abrimos as portas para toda a população, não é somente para os nossos alunos. Haverá muitas atividades: vôlei de praia e futebol, a barraca solidária que os atletas do funcional promovem, e contribuem para ajudar no projeto, temos o Sesc Paranaguá como parceiro, trazendo alguns brinquedos, os kits que são entregues para as crianças e o lanchinho da tarde, que é importante, sempre buscando uma grande confraternização. Inicia às 14h e segue até às 18h, aqui no Centro de Treinamentos de Esportes de Areia do projeto. Venha com sua família, pois é um momento para brincarmos juntos.

Folha do Litoral News: Fale um pouco do time Ágatha e Duda.
Ágatha:
Este time foi desde o início criado pensando nos jogos olímpicos. No dia que demos a nossa primeira entrevista, dia 4 de janeiro de 2017, falamos que o motivo principal do time seria estar em Tóquio e estando em Tóquio se cria um novo objetivo. Não dá para se falar em medalha e pódio em Olimpíada até estar classificada. Então o nosso primeiro foco era a classificação. Sabíamos que passaríamos por muitas coisas, jogar muitos torneios. Então estes três anos foram de aprendizado para o nosso time. Quando se coloca uma meta tão alta como esta é inevitável você não se transformar. E você se transforma como ser humano. Quando a meta é alta você vai passar por momentos difíceis, e eles te desafiam. Alguns momentos a gente têm que ser mais agressiva, noutros dar um passinho para trás, isso falando em tudo, do planejamento do time, do relacionamento entre a dupla, e da dupla com a comissão técnica. É um caminho bem desafiador, pois são muitos torneios e a gente joga uma média de 20 torneios, por ano, e destes mais da metade são internacionais. Também tem o desafio de passar bastante tempo longe de casa, abdicando da vida familiar e pessoal, viajando muito. A vida de um atleta é difícil e de sacrifícios, e neste período tivemos isso, mas este time está sendo vencedor, um time estável e de resultados. O que está fazendo sentir que tudo está valendo a pena.

Folha do Litoral News: Como foi receber a notícia que a dupla realmente estava classificada para as olímpiadas?
Ágatha:
Eu e a Duda conversamos e combinamos que não faríamos a soma das pontuações. Tínhamos a informação de que a corrida olímpica seria até fevereiro de 2020, e a gente falou: vamos jogar o nosso vôlei e não vamos fazer contas, pois isso será ruim para nós, vamos focar no que precisamos fazer que é jogar bem, e fomos vivendo isso. Antes de jogar a etapa de Roma, conversamos com a comissão técnica e perguntamos como estava a nossa classificação, pois acreditávamos que estávamos muito próximas de conquistar a vaga, pois estávamos em 1.º lugar no ranking olímpico brasileiro. Eram só duas vagas, e sabíamos que estávamos próximas de conquistar uma delas. Então jogamos sabendo que se chegássemos até em 9.º lugar nós nos classificaríamos, mesmo que nossas adversárias chegassem em 1.º lugar até fevereiro de 2020, devido à soma de pontuação. Então quando acabou Roma em setembro, sabíamos que estávamos classificadas, só que é muito engraçado, pois enquanto não saiu oficialmente a notícia você não comemora. As pessoas vinham me abraçar e parabenizar e eu falava “calma, gente na hora que for oficial vocês vêm falar comigo de novo”. Mas a sensação do anúncio, que aconteceu em outubro, é uma sensação de muita alegria.  

Folha do Litoral News: Como fica o planejamento e qual expectativa para Tóquio 2020? 
Ágatha:
A gente entra em férias neste mês, estou aqui no Paraná e a Duda vai ficar em Sergipe com a família dela. A gente não vai parar o treinamento físico, só paramos o treinamento com bola. O atleta de alto rendimento não pode parar mesmo. Quando iniciar janeiro, a partir do dia 6, temos uma semana de testes, em São Paulo e Rio de Janeiro. Depois vamos para Saquarema e vamos ficar lá durante um tempo em treinamento. Este início de ano terá várias competições. Janeiro, fevereiro e março teremos competições nacionais e uma internacional no México. O foco será treinamento pesado focando nos jogos olímpicos. Depois disso temos muitas competições antes da Olimpíada que acontece no meio do ano. Muitas pessoas pensam que classificou agora só joga na Olimpíada, mas não é assim, vamos jogar de 7 a 8 competições internacionais e as quatro nacionais, antes de Tóquio. O foco são os jogos Olímpicos, mas antes disso temos muitas competições importantes que nos darão confiança e respaldo para chegarmos bem nas olimpíadas.

Folha do Litoral News: Desejamos sucesso a você nesta sua nova jornada e que mensagem deixa aos parnanguaras e torcida brasileira?
Ágatha:
Realmente poder estar novamente representando minha cidade, meu Estado e o meu País em uma olimpíada é incrível. Lembro quando eu classifiquei na última olimpíada a alegria que foi para a cidade, tive uma oportunidade de fazer uma reportagem muito bonita na Folha do Litoral News falando que era a primeira atleta da cidade a classificar para os jogos Olímpicos, e agora classificada duas vezes, realmente para mim é uma felicidade muito grande poder representar a nossa cidade e o País. Quero viver isso, mas tem bastante tempo até lá, estou curtindo cada momento, já tenho 36 anos, e pode ser que esta seja a minha última Olimpíada, pois a próxima será em 2024, em Paris, e pode ser que até lá esteja jogando vôlei, mas voltando, para os próximos meses é muita felicidade poder estar em mais uma olimpíada. Meu sentimento é de aproveitar cada segundo. Neste domingo, durante o Festival, estarei trazendo uma novidade minha aos que acompanham a minha carreira, e não posso falar antes de domingo, vai ser surpresa e até lá vou deixar vocês curiosos, e quem estiver no festival, vai saber na hora mesmo. Aproveito a oportunidade para deixar meu abraço e meu carinho para toda a cidade e dizer que acompanho pelas redes sociais o quanto vocês torcem por mim e pelo meu time, e o quanto o povo parnanguara se sente representado por mim quanto atleta levando o nome da cidade, e quando estou em Paranaguá este carinho vem calorosamente das pessoas, e às vezes pessoas que nem conheço me param para me dar um beijo e um braço, e dizer que torcem por mim. Este carinho é muito motivador. Queria gradecer mesmo este amor e dizer que vou fazer o máximo, pois sou uma pessoa que sempre busca dar o máximo todos os dias. Dentro das quadras e fora delas tenham a certeza de que estarei dando o máximo e continuem a passar essa energia que nos impulsiona para frente.   


 


Colunistas