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Parnanguara cria associação para melhorar vida de crianças do antigo “Lixão”

10 de março de 2019

Monica Monteiro desenvolve projetos comunitários para mais de 100 crianças carentes

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Monica Monteiro é natural de Paranaguá, tem 46 anos, casada e mães de três filhos. Sua vida sempre foi voltada para as atividades sociais através de sua família, a qual realizava ações filantrópicas em vários bairros. 

Em 2011, ela fundou a Associação Casa Missionária para consolidar as atividades sociais na Vila Becker. Com a transferência da comunidade para o bairro Porto Seguro, a Associação passou a funcionar na Vila Santa Maria com a finalidade de melhorar as condições de vida das crianças que viviam no antigo “Lixão”. É sobre sua atuação  na área social que ela fala nessa entrevista. Confira: 

Folha do Litoral News: Como você iniciou nas atividades sociais?

Monica: Minha família sempre esteve envolvida em atividades sociais. Eu sempre tive a vontade de ajudar o próximo. Já realizava ações deste tipo na igreja, juntamente com minha família. Mas eu queria expandir, pois eu sabia que podia mobilizar amigos e a sociedade para tentar fazer alguma coisa na área social em Paranaguá. Antes nossa cidade era mais parada em relação à mobilização social, agora alguns grupos estão atuando em várias áreas e estão se mobilizando para ajudar.  Foi assim que eu iniciei, das primeiras experiências na igreja, depois expandimos ações na Vila Becker e hoje estamos na Vila Santa Maria trabalhando com crianças em situação de vulnerabilidade social.

Folha do Litoral News: Como é desenvolver uma atividade filantrópica nos dias de hoje? Existe apoio?

Monica: É difícil desenvolver atividades filantrópicas, pois quando chegamos na Vila Santa Maria encontramos muita dificuldade e ficamos cinco anos em lugares emprestados só servindo lanche aos sábados. Nós não tínhamos estrutura e apoio. Hoje temos apoio da população que nos incentiva através das redes sociais. Mas ainda vivemos uma luta constante pela falta de condições financeiras que nos impedem de fazer mais e melhor. Mas nem por isso desistimos, pois temos vários voluntários que arregaçam as mangas para ajudar, isso é nosso maior combustível. Algumas pessoas diziam que não acreditavam que iríamos ficar muito tempo ali na Vila Santa Maria por causa do isolamento social e da falta de condições. Mas já estamos há 8 anos, remando contra a maré e transformando vidas. Temos hoje um voluntariado que veste a camisa que sua e sofre junto com a gente. Nessas horas vemos que não estamos sozinhos. Isso dá força nos dá ânimo para continuar na luta.

Folha do Litoral News: O que te levou a trabalhar na Vila Santa Maria?
 
Monica:
Nós começamos a nossa atividade na Vila Becker,  Padre Jackson e Vila do Povo. Fazíamos muitas atividades com as crianças até que a Vila Becker foi realocada para o Porto Seguro e para nós ficou difícil ir para lá por falta de estrutura e condições financeiras. E assim surgiu o convite de uma senhora que hoje está com 86 anos, a dona Holanda que fazia entrega de lanches na Vila Santa Maria. No começo, meu pai também foi junto dando continuidade aos trabalhos, mas com o tempo ele ficou impossibilitado e eu, que sempre ficava nos bastidores, assumi a presidência da Associação Casa Missionária. Comecei a buscar mais parcerias e através do Facebook fui divulgando os vídeos das pessoas que moravam no antigo Lixão. No começo, não tínhamos espaço, era tudo emprestado, mas aos poucos fomos conseguindo e ainda estamos nessa luta para oferecer um pouco mais de dignidade para mais de 100 crianças da Vila Santa Maria. Fui para lá e não consegui sair porque eles precisam muito de ajuda e apoio em todos os sentidos. A maioria das crianças nasceu ali e nunca saiu daquele lugar. Para eles o mundo é aquela realidade. Por isso começamos a promover passeios e projetos para que eles também tenham o direito de ser feliz. 

Folha do Litoral News: Quais são os maiores desafios que você enfrenta hoje? 

Monica: Nossos desafios mudam a cada ano. Se vocês tivessem me perguntado ano passado eu diria que seria a falta de voluntários, porque ninguém conhecia nosso trabalho. Hoje isso não é mais problema, o nosso desafio é financeiro, pois precisamos patrocinar as atividades. Estamos limitados pela falta de recursos, mas temos um desejo enorme de fazer mais. Tudo que temos hoje é resultado de doações. Somos gratos e ao mesmo tempo vivemos preocupados com o dia de amanhã, pois não sabemos se vamos conseguir pagar a conta de luz, de água, não sabemos se vamos conseguir comprar os lanches para as crianças aos sábados. Não sabemos se vamos ter combustível para o transporte das crianças que participam das atividades esportivas. Hoje temos 107 crianças cadastradas e o bairro tem 300 crianças. Estamos trabalhando na medida do possível e com muito esforço. Hoje são os voluntários que se organizam para doar os 250 lanches todos os sábados, mas precisamos ter recursos para fornecer lanches para as atividades semanais. Vivemos uma luta diária e somos motivamos pelo amor que recebemos das crianças. 

Folha do Litoral News: Quais são os projetos que você desenvolve junto à comunidade? 

Monica: Nós desenvolvemos a padaria comunitária onde nossos adolescentes aprendem a fazer pães e vendem. Uma parte do valor da venda fica com eles como ajuda de custo e outra parte nós usamos para comprar os ingredientes. Temos uma cozinha comunitária que é pequena mas vamos expandir. Temos também o projeto de acompanhamento escolar, onde ficamos de olho no rendimento das crianças em sala de aula. Os bons alunos participam de passeios e concorrem a cestas básicas e kit escolar. Por causa dessas vantagens todos se esforçam na escola. Temos também o projeto do futebol em parceria com a quadra Smash, onde as crianças ocupam o tempo livre treinando. Levamos para participar de campeonatos no Aeroparque. Em breve vamos ganhar o retroprojetor e pretendemos passar filmes educativos para as crianças aos sábados. Também oferecemos o curso de libras para crianças e adolescentes. Estamos montando um parquinho nos fundos do nosso terreno, já ganhamos quase todos os brinquedos, mas falta a pavimentação. Tudo isso vai melhorar e ser expandido com o projeto Troco Solidário da Havan em que nós estamos participando. Já estamos sonhando com muitas coisas novas e melhores para as crianças.

Folha do Litoral News: Quais são os seus planos para o futuro junto à ACM?

Monica: Ampliar todos os projetos que já existem e ter condições de pagar profissionais para dar atendimento nesses projetos como, por exemplo, pedagogos, educadores e psicólogos. Eu trabalho com crianças que foram criadas dentro do Lixão, e a maioria não tem noções de higiene e esses profissionais podem ensinar noções de cidadania para que cada um deles tenha uma vida melhor. No futuro queremos implantar nosso trabalho nas áreas mais carentes da nossa cidade e contar com o empresariado para manter essas novas unidades.
 

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