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Ortopedista destaca os acidentes mais comuns na temporada de verão

10 de novembro de 2019

Fraturas ocasionadas por mergulho em águas rasas e acidentes com fogos de artifício são recorrentes nesta época do ano

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Segundo o DATASUS, departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Brasil, nos últimos anos, em todo o País, houve mais de 8,5 mil acidentes e 120 mortes causadas por fogos de artifícios. Mais de 20% das mortes foram de crianças entre 0 e 14 anos. O manuseio de fogos de artifícios é uma das causas de amputação de membros superiores existentes hoje no País.

Esses acidentes são comuns em períodos de festa, como as de fim de ano, período que outro problema também surge, o mergulho em águas rasas, que pode deixar graves sequelas nos acidentados.

Por isso, a melhor forma de se prevenir e prevenir a família é se atentar para os cuidados necessários na temporada de verão. Quem traça o panorama desses acidentes, suas consequências e as maneiras de prevenção é o médico ortopedista, Dr. Elicimar Luis Beltran Martins. Confira:

 

Folha do Litoral News: Quais os riscos a que as pessoas se expõem e os erros mais comuns ao manusear os fogos de artifício?

Dr. Elicimar: A maior parte dos acometimentos ocorrem em período de festas, Ano-Novo, festas de São João ou de campeonatos de futebol. Recentemente foi divulgado um vídeo no WhatsApp de um torcedor do Athletico Paranaense no aeroporto e o rojão explodiu, aparentemente estava falhando, e houve amputação quase total da mão do torcedor. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia fez uma campanha no ano passado alertando para fogos que não têm as devidas instruções de manipulação, de como deve ser usado, uma venda não autorizada ou a fabricação artesanal. A gente recomenda que as pessoas procurem os fogos em lojas idôneas, que tenham alguém que possa orientar, as caixas têm que estar seladas com certificação técnica. Se o artifício não funcionar, não olhar dentro, melhor descartar, afastar as pessoas, deixar no chão por alguns instantes até que realmente não ofereça perigo. Quanto à manipulação, quanto mais longe dos olhos, das mãos, mais seguro é para o usuário. É importante que tanto adultos, quanto crianças estejam cientes e as crianças devem ser acompanhadas por adultos.

 

Folha do Litoral News: Há muitos casos de acidentes com fogos de artifício na região?

Dr. Elicimar: Vemos com frequência. No último São João, entre junho e julho, tivemos um caso triste de um jovem com pouco mais de 16 anos que teve a mão totalmente amputada por conta de fogos de artifício. Nesse caso, uma bomba de fabricação caseira.

 

Folha do Litoral News: Outro risco comum durante a temporada de verão que as pessoas estão expostas é o mergulho em águas rasas. Quais lesões podem ser provocadas neste caso?

Dr. Elicimar: Neste ano, em específico, a campanha da Sociedade de Ortopedia está direcionada à prevenção de acidentes em mergulho de águas rasas. As consequências mais comuns são paralisia de pernas e braços, danos para a coluna vertebral, lesões com fratura ou luxação, problemas neurológicos que podem ficar para o resto da vida, traumatismo craniano e fraturas nas mãos e pés. Muitas vezes, casos irreversíveis como tetraplegia e paraplegia.

 

Folha do Litoral News: Quais devem ser os primeiros socorros a essa vítima?

Dr. Elicimar: A primeira recomendação é sempre chamar a emergência, porque até chegar à vítima, você também pode se tornar uma. Na nossa região há pedras junto ao mar e pedras em rios e cachoeiras, e nessa época do ano aumenta muito a incidência deste tipo de caso. Nos plantões de traumatologia, recebemos diariamente pelo menos um caso relacionado durante a alta temporada. As pessoas pensam que só se mergulhar de ponta é que há risco, mas não. Há casos de pessoas que pulam de pé, com as pernas estendidas, só muda o local e o tipo de trauma que vai sofrer. Normalmente existe um grupo de amigos, se não houve correnteza no local onde você está prestando socorro e se tiver experiência, pode tentar oferecer auxílio jogando algum objeto. Em se tratando de trauma no pescoço, na coluna e na cabeça, quanto maior a manipulação da coluna cervical, pior. Se não souber o que está fazendo, é preferível aguardar o socorro. Se a pessoa que sofreu o trauma está acordada e consegue conversar e se mexer com os braços, pode ser retirada da água. Mas jamais movimentar demais, colocar o dedo na ferida ou tentar colocar no lugar o membro ou articulação acometida. Os acidentes provocados por mergulho em águas rasas são a quarta causa de lesão medular no Brasil e a incidência é maior entre indivíduos de 10 a 30 anos.


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