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Investigadora é primeira mulher a integrar o Grupamento de Operações Aéreas do Paraná

05 de feveiro de 2018

Bruna Mayer, de 33 anos, relata sua história e os desafios da carreira

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Se olhando apenas as fotos, o esforço e as dificuldades parecem não ter fim, imagina participar efetivamente de um treinamento da Polícia Civil para atuar no Grupamento de Operações Aéreas. Mas, nada disso foi considerado um obstáculo para Bruna Mayer, de 33 anos. Investigadora da Polícia Civil desde 2009, Bruna percebeu de imediato, ao ver o helicóptero do Grupamento, que aquilo deveria fazer parte da sua vida, e foi em frente.
Após o treinamento de operações aéreas para salvamento e resgate policial em meio a mata, o qual exigiu muito controle físico e emocional, Bruna se tornou a primeira operadora aerotática do Estado do Paraná. Ela também foi a única mulher aprovada no XI Curso de Operadores Aerotáticos (COA), o qual concorreu com policiais do sexo masculino de todo País. Com 25 alunos no início do curso, apenas 13 conseguiram chegar ao final e Bruna estava entre eles.
No Maranhão, seu talento e dedicação foram reconhecidos, e a investigadora recebeu homenagem do secretário de Segurança Pública por ser a única mulher em 12 anos a participar e se formar. Na entrevista, Bruna conta como chegou até este resultado motivador para as mulheres e encoraja a todos a irem atrás dos seus objetivos, independente da dificuldade que eles possam apresentar.

 

Folha do Litoral News: De onde surgiu o interesse em trabalhar na área?
Bruna Mayer: O interesse maior surgiu com a possibilidade ofertada pelo Grupamento de Operações Aéreas (GOA), aos policiais de todo o Paraná para realizar um teste de aptidão física (TAF) muito rigoroso para selecionar os melhores candidatos para participarem do curso de operações aéreas. Eu já estava treinando há aproximadamente um ano e meio, me dedicando muito na parte física, mental e na alimentação para realizar cursos na área operacional. Meu treinamento era voltado para aguentar um TAF na condição igualitária aos homens, e para isso busquei o trabalho orientado de uma personal, a qual me colocou nestas condições. Antes de realizar o TAF, visitei o Grupamento e, naquele momento, eu já sabia que deveria lutar por aquilo, pois olhando o helicóptero, senti que poderia estar nele exercendo minha função como policial. O que poderia ser apenas um sonho foi se tornando possível com a minha dedicação.

Folha do Litoral News: Como se tornou investigadora da Polícia Civil?
Bruna Mayer:
Anteriormente fui soldado da Policial Militar e sempre me senti vocacionada na polícia. Posteriormente, almejei o cargo de investigador de polícia prestando concurso mais tarde para a Polícia Civil do Paraná, a qual pertenço e exerço minhas funções desde 2009.

Folha do Litoral News: Como é a atuação do Grupamento de Operações Aéreas e como é o seu dia a dia agora? 
Bruna Mayer:
O Grupamento serve para dar apoio para as demais unidades policiais em casos que necessitem da aeronave, como, por exemplo, em ocorrências em andamento, operações policiais, acompanhamento tático, plataforma de observação e demais situações ao bem da sociedade, como já foi realizado pela unidade transporte de órgãos em situação de urgência para salvar vida.  Meu dia a dia é de muita dedicação à unidade, estou em fase de treinamento com os demais operadores aerostáticos do GOA e me adaptando não somente a aeronave da unidade como também ao aprendizado que adquiri no Estado do Maranhão para a nossa realidade.

Folha do Litoral News: Como você se sente sabendo que é a primeira mulher a integrar uma equipe de Operações Aéreas no Paraná?
Bruna Mayer:
Sinto-me realizada profissionalmente em chegar até aqui, iniciando um trabalho desafiador, de muita responsabilidade, dedicação e coragem. Sinto-me feliz também por ter aberto portas às mulheres que também possuem este mesmo desejo, servindo de exemplo e mostrando que é possível. A própria unidade me deu total apoio ao entrar, tudo depende de quanto você quer e está disposto a dedicar-se ao Grupamento, pois havendo a aptidão, não há como distinguir o sexo. A polícia é uma só, entre homens e mulheres somos todos policiais, o que define é o treinamento adquirido.

Folha do Litoral News: Como foi o treinamento, quanto tempo durou e qual a maior dificuldade que encontrou?
Bruna Mayer:
O curso de operações aéreas do centro táticoaéreo do Maranhão teve início em 7 de novembro e perdurou até 20 de dezembro. Foram dias de dedicação exclusiva para o curso, iniciando com 25 alunos e somente eu de mulher. Com o passar do curso muitos foram desistindo devido à exaustão do treinamento, o qual englobava diversas instruções que exigiam muito preparo físico e mental para chegar até o final. Foram muitos dias difíceis, mas cheguei até o final formando-me com mais 12 homens. Cortei meu cabelo um dia antes do curso para poder realizar todas as instruções em condições e também para não me sentir diferente aos demais alunos, visto que ali eu era a única mulher.  Deixei de lado a vaidade feminina realizando todas as atividades junto com os homens o que foi criando uma condição de igualdade com os participantes e, no final, obtive o sétimo lugar no curso. 

Folha do Litoral News: Você já exerce a função de operador aerotática? 
Bruna Mayer:
Já estou em treinamento e exercendo a função de operador aerotático no dia a dia da unidade e realizando voos em situações reais junto com outro operador. Logo após este treinamento passo a operar sozinha.

Folha do Litoral News: Qual recado você deixaria para as mulheres que enfrentam dificuldades e preconceitos em carreiras nas quais o público masculino predomina?
Bruna Mayer:
Que elas vão em frente nos seus objetivos, pois quando há foco, fé e força não há nada que possa impedir nós mulheres de fazermos. Não deixem seus sonhos de lado porque ninguém disse que por sermos mulheres não iríamos realizar ou conseguir, pois com vontade chegamos onde quisermos, vencer e ser um bom profissional nunca dependeu do sexo.
 

 

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