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'Celebrar o mistério da encarnação é celebrar a confiança em Deus', destaca padre Eliel Venâncio

23 de dezembro de 2018

“Desejo que todos tenham mais uma oportunidade de acolher o que Deus quer tocar no seu coração e não a deixem passar ”, afirmou padre Eliel

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Natal é oportunidade de relembrar o valor da vida e a fé em Jesus

Padre Eliel de Oliveira Venâncio, que está à frente da Paróquia São João Batista, é natural de Paranaguá, foi ordenado padre em 2012, atuou em Pontal do Paraná e hoje é também diretor pedagógico no Colégio Diocesano Leão XIII. Nesta entrevista, padre Eliel ajuda os fiéis a entender a preparação para o Natal, a simbologia de Maria, que deu o seu sim para ser a mãe do filho de Deus, o verdadeiro sentido da data e a como “driblar” o consumismo comum nesta época para que ele não tenha protagonismo. Além disso, deixou sua mensagem de fim de ano, relembrando que “celebrar o mistério da encarnação é celebrar a confiança em Deus”, uma confiança que se torna a cada dia mais necessária para ressaltar e valorizar a vida.

Folha do Litoral News: O que é o tempo do advento e como acontece a preparação dos fiéis para o Natal?

Pe. Eliel: O advento é um tempo de preparação, temos quatro domingos que antecedem o Natal. Nós temos uma coroa, quatro velas, a cada domingo acendemos uma, como uma expectativa. Assim como o povo do Antigo Testamento esperou o filho de Deus, nós vivemos esta espera como celebração. O que já nos aconteceu nós celebramos, porque nossa vida também é de espera. Por isso, celebramos o que aconteceu com Jesus, mas também o que desejamos que aconteça conosco. Esse Cristo que sempre vem, que nasce e renasce, e esperamos a sua segunda vinda, para plenificar a obra da sua criação.

 

Folha do Litoral News: Qual a simbologia que Maria traz aos católicos e que exemplos ela nos dá nesta época?

Pe. Eliel: Maria é a imagem da mãe, da mulher, do ser humano que deu certo. Quando olhamos para o Antigo Testamento, vemos a figura de Eva, aquela mulher que Deus, no seu diálogo, pediu obediência e ela não obedeceu. Maria é aquela que obedece, que acolheu a verdade e a palavra de Deus. Ela mesma diz: “Faça-se em mim a tua vontade”, aquilo que deseja Deus em sua palavra. Então, Maria é este modelo de ser humano que acolheu a palavra nela e a palavra se fez carne. Jesus a elogia diante do povo, da multidão, por essa obediência. Muito mais do que fazer parte da família de Cristo, sendo mãe Dele, é fazer parte da família de Deus. 

 

Folha do Litoral News: Qual a reflexão que o Natal propõe neste momento conturbado que o mundo vive, de muitos extremismos?

Pe. Eliel: Os extremismos também existiam no tempo de Jesus, os radicalismos. Havia vários grupos e Jesus também entra neste contexto, de alguém que veio para ser a salvação. O Natal é a celebração da encarnação do filho de Deus, toda essa preparação é porque Deus se faz um de nós. Não ficamos sem uma resposta, ele vem falar conosco de igual para igual, torna-se um de nós no ventre de Maria. E, ao celebrar isso e a vinda de uma criança ao mundo, a igreja sempre acreditou que Deus continua confiando e apostando no ser humano. Celebrar o mistério da encarnação é celebrar essa confiança de Deus. Um Deus que se fez homem, apaixonou-se pela humanidade, alguém que tem o ser humano como um grande valor. Nós celebramos tudo isso defendendo a vida por causa dessa fé no filho de Deus. 

 

Folha do Litoral News: Qual o verdadeiro significado do Natal?

Pe. Eliel: É que Deus se torna essa luz para nós. Nós não mais andamos nas trevas, uma luz brilhou para o povo de Deus. Não é como a luz do sol, que é muito importante também, é uma pessoa, que olhando para ela encontramos o verdadeiro sentido, o ânimo, a grandeza de cada um de nós, a vivacidade da vida, para que ela seja animada, dinâmica, e é em Jesus que enxergamos tudo isso.

 

Folha do Litoral News: Como não deixar que o consumismo, comum nas festas de fim de ano, se torne protagonista?

Pe. Eliel: A tentação de comprar é grande. Mas é preciso ver o que realmente é necessário. É necessário comprarmos algo para quem não tem? Ajudar alguém da família? É pensar nessas compras com uma educação de valores verdadeiros. Seja Natal, Ano-Novo, Páscoa, Carnaval, tudo é trabalhado para consumir mais, porque queremos nos apresentar de forma diferente, com uma roupa diferente, com um jeito diferente. Mas é importante haver uma educação para as compras em todos os momentos e festas, para que nessa onda de comprar a gente não acabe se perdendo.

 

Folha do Litoral News: Todo fim de ano, as pessoas estão mais sensíveis e tentam ajudar o próximo com doações e visitas. Como manter o espírito do Natal vivo em outras épocas do ano?

Pe. Eliel: Seja uma família carente, seja uma criança, seja uma pessoa que está no asilo, não só neste momento ela precisa. A gente precisa dessa educação para entender que a nossa sensibilidade precisa ser educada para este contato durante todo o ano. A igreja, quando celebra Cristo, todos os domingos, deseja tocar nosso coração através do mistério de Cristo, o sacramento da caridade, para que a gente pratique isso durante todo o ano. 

 

Folha do Litoral News: Deixe sua mensagem de Natal.

Pe. Eliel: A mensagem é de fé. Que cada pessoa acolha no seu coração o verdadeiro sentido da própria vida e se pergunte “para que eu vivo?”, “aonde quero chegar?”, “o que eu quero para a minha vida?”. Na fé cristã há o filho de Deus que se apresenta para responder tudo isso. O evangelho é um livro aberto, de um Deus que se fez homem para responder as questões humanas, e Ele deseja caminhar conosco para nos dar essa resposta. Não para a vida apenas aqui, mas para isso precisamos sentir. O Natal é uma oportunidade para sentir, abrir o coração e entender o sentido da vida, que é o filho de Deus. Desejo que todos tenham mais uma oportunidade, e não a deixem passar,  de acolher o que Deus quer tocar no seu coração, para que de fato uma luz aconteça e transforme a vida. Não só naquele momento, mas em todos. Que a cada semana a gente consiga alimentar esse contato com Deus, em primeiro lugar agradecendo a Ele por cada dia que nos dá.
 

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