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Educação com Ciência

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Paraná e Pedagogia pelo Instituto Superior do Litoral do Paraná. Experiência no exercício da docência da Educação Básica, em funções de Coordenação e Direção escolar. Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e mestre pela Universidade Federal do Paraná. No doutorado atua em pesquisas voltadas à Neurociência da aprendizagem, na linha de Cognição, Aprendizagem e Desenvolvimento Humano...

Ansiedade na infância e da adolescência

06 de agosto de 2019

Vivemos em uma sociedade imediatista, ansiosa e precoce. Aceleram-se não apenas os entretenimentos, pois estes rapidamente perdem a graça, os diálogos, porque ninguém mais tem tempo a perder escutando os outros, as reações que devem ser breves e instantâneas, afinal tempo é dinheiro e por fim, a mente, que está a mil, com pensamentos cada vez mais urgentes e ansiosos.

Essa pressa toda resulta, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em uma estatística alarmante: somos o País mais ansioso do mundo. Dados de 2017 mostram que 18 milhões de brasileiros, o que corresponde a 9,3% da população, sofrem por esta desordem psicológica e emocional.

Para os especialistas na área, ansiedade é caracterizada como um sentimento desagradável de apreensão, medo e tensão pela antecipação de fatos e fenômenos.

Há uma tendência natural da psique humana para a elaboração de hipóteses, pensamentos, desejos e construções conscientes do futuro de médio e longo prazo. No entanto, essa ansiedade vital torna-se doentia quando são exagerados, desproporcionais, resultando em pensamentos muito acelerados, interferindo na qualidade de vida, diminuindo o processo criativo, afetando o emocional e, muitas vezes, apresentando reflexos orgânicos e metabólicos.  

A criança e o adolescente não estão isentos deste grande mal. Pelo contrário, eles são igualmente vítimas, ou muitas vezes, sofrem até mais, com essa era ansiolítica. Isso porque o sistema social constrói o ser ideal, tão logo que nasce. “Fulano será doutor, deverá entrar na faculdade aos dezoito anos, conseguir um bom emprego aos vinte e poucos, casar-se e construir uma família antes dos trinta”. Essas projeções são erradas? Não devemos fazê-las? Não se trata de não projetar o futuro, mas sim, de entender que cada indivíduo é único em sua forma de agir e pensar. O tempo não é igual para todos.

A infância e a adolescência são etapas primordiais para o desenvolvimento emocional e psicológico do indivíduo adulto. O excesso de estímulos, atividades e informações, advindas dos usos tecnológicos são considerados, hoje, os grandes causadores da ansiedade na infância, gerando agitação, falta de concentração, dificuldades de memorização, oscilação no humor e reações impulsivas.

Fatores de proteção podem ser desenvolvidos, em ambiente familiar e escolar, a fim de minimizar esta problemática. São eles: estimular a autonomia e a autoestima (o diálogo é sempre auxiliador nestes quesitos), permitir que a criança e o adolescente encontrem o seu bem-estar (a busca por um esporte ou algo que lhe cause motivação é uma boa recomendação) e desenvolver a competência emocional alcançada através de afetos positivos, apoio social e familiar.  

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