O que começou como um hobby movido pela curiosidade acabou se transformando em um projeto que vem conquistando as pessoas nas redes sociais. O designer gráfico e coordenador pedagógico de uma escola de informática, Alex Sandro Andrade Nunes, utiliza ferramentas de inteligência artificial para restaurar fotografias antigas, animar cenas históricas e proporcionar verdadeiras “viagens no tempo”, com destaque para registros de Paranaguá. Durante uma entrevista para a Folha do Litoral News, ele falou sobre o processo de criação, os cuidados para preservar a fidelidade histórica e o papel da tecnologia na valorização do patrimônio cultural.
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Da curiosidade à reconstrução visual do passado
Alex Nunes conta que a ideia nasceu da vontade de imaginar como seria viver em outras épocas. Segundo ele, caminhar pelo Centro Histórico da cidade despertou esse interesse. “A gente passa pelo Centro Histórico e acaba imaginando como era morar naqueles prédios, caminhar por aquelas ruas. A inteligência artificial se tornou uma ferramenta capaz de transformar essa curiosidade em uma experiência visual”, explicou.
O primeiro vídeo surgiu por incentivo de amigos e, desde então, a iniciativa ganhou força nas redes sociais, reunindo imagens antigas restauradas e transformadas em pequenas animações que recriam momentos marcantes da história parnanguara.
Pesquisa histórica é parte fundamental do trabalho
Embora a criação dos vídeos aconteça em poucas horas, Alex destaca que a etapa mais demorada é a pesquisa. Cada produção exige, em média, de dois a três dias de busca por fotografias, referências históricas e informações que permitam representar o cenário com responsabilidade.
Ele utiliza principalmente acervos públicos e imagens cedidas por moradores e pesquisadores, sempre mediante autorização. Quando recebe fotografias particulares, faz questão de creditar os proprietários e colaboradores. “Não quero me apropriar da história de ninguém. Meu objetivo é preservar a memória e dar visibilidade a esses registros”, explicou.
Inteligência artificial como ferramenta
Para produzir os conteúdos, Alex Nunes utiliza ferramentas de inteligência artificial voltadas para criação de roteiros, restauração de imagens e geração de vídeos. Apesar dos avanços tecnológicos, ele afirma que o maior desafio continua sendo transmitir sentimentos e respeitar os detalhes históricos.
“A inteligência artificial entende conceitos, mas não entende emoções. O trabalho está justamente em explicar para a máquina aquilo que imaginamos”. Ele faz questão de deixar claro que seus vídeos não têm a intenção de reescrever a história. “A inteligência artificial não pode substituir nem reinventar os fatos. Ela deve servir para preservar aquilo que realmente aconteceu”, disse.

Paranaguá como principal fonte de inspiração
Morando há dois anos em Paranaguá, Alex afirma que ficou impressionado com a riqueza histórica da cidade. Ele conta que encontrou em Paranaguá um patrimônio de quase quatro séculos que inspira constantemente novas produções. “Cada esquina conta uma história diferente. Isso acaba despertando muita criatividade”, destacou.
Entre os projetos que ainda deseja realizar está uma reconstrução visual da história do Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio. Segundo ele, a maior dificuldade é encontrar fotografias antigas que permitam recriar os acontecimentos com fidelidade. “Tem muita gente pedindo vídeos sobre o Rocio, mas ainda faltam imagens históricas suficientes”, contou.
Convite para quem guarda fotografias antigas
Durante a entrevista, Alex aproveitou para fazer um apelo à população. Ele pede que moradores que possuam fotografias antigas de Paranaguá entrem em contato para colaborar com o projeto. Além de utilizar as imagens mediante autorização, ele também oferece ajuda para restaurar fotografias de famílias que desejam preservar sua memória. “A história precisa ser lembrada todos os dias”, frisou.
Tecnologia para aproximar os jovens da história
Como educador, Alex acredita que a inteligência artificial pode ser uma grande aliada da educação quando utilizada corretamente. Segundo ele, muitos jovens demonstram pouco interesse por museus e conteúdos históricos tradicionais, mas se conectam facilmente com vídeos e redes sociais.
“A tecnologia pode levar a história até onde os jovens estão. Ela não substitui o conhecimento, mas desperta a curiosidade”. Ele também defende o uso consciente da inteligência artificial dentro das escolas. “O aluno não pode usar a IA apenas para encontrar respostas prontas. Ela deve servir para ensinar e estimular o aprendizado”, completou.
Vídeos alcançam milhares de pessoas
O trabalho já vem alcançando grande repercussão nas redes sociais. Um dos vídeos mais populares, que recria a região do Mercado Municipal na década de 1920, ultrapassou 70 mil visualizações e fez o perfil crescer rapidamente.
Segundo Alex, mais importante que os números é perceber que as pessoas passam a pesquisar sobre a história de Paranaguá após assistirem aos vídeos. “Se alguém assistir a um vídeo, ficar curioso e procurar saber mais sobre aquele momento histórico, para mim todo o trabalho já valeu a pena”.
Os conteúdos podem ser acompanhados no Instagram e no Facebook pelo perfil @prof_alexnunes, onde, além das animações, cada publicação traz explicações e contextualização histórica sobre os locais retratados.





