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Paranaguá 372 anos

Paranaguá está localizada em um dos biomas mais ricos do planeta

Paisagens revelam o patrimônio natural presente no município

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Conhecida por ter um dos portos com maior movimentação do País, Paranaguá também é lembrada pelas suas belezas naturais, as quais compõem a paisagem e revelam as riquezas de ecossistemas e biodiversidade que podem ser encontradas por aqui. Neste aniversário de 372 anos de Paranaguá, duas biólogas contaram o quão importante é preservar essas características e parte do Bioma Mata Atlântica, um dos mais ricos do planeta.

A bióloga e mestre em Conservação da Natureza pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), Elenise Angelotti Bastos Sipinski, mais conhecida como Tise, atua hoje na SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental. Ela desenvolve projetos de conservação de espécies endêmicas da Mata Atlântica.

“Paranaguá tem um potencial imenso de se transformar em um local de turismo de natureza”, afirmou a bióloga e mestre em Conservação da Natureza, Elenise Sipinski

“Paranaguá faz parte da Grande Reserva Mata Atlântica, o maior remanescente contínuo desse bioma englobando Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Paranaguá tem manguezal, restinga, áreas de planície, montanhas e uma vasta baía”, destacou Elenise.

Segundo ela, toda essa região apresenta uma biodiversidade única, com espécies endêmicas e ameaçadas, as quais encontram na região áreas naturais ainda em bom estado de conservação. “Além do patrimônio natural há um patrimônio cultural, pois a região abriga diversas comunidades tradicionais. Toda essa região e sua cultura são de uma importância mundial e trazem um benefício para todos os seres humanos, oferecendo os serviços ambientais, tais como: paisagens naturais, água pura, biodiversidade, saúde, cultura, lazer, enfim tem um potencial imenso para o turismo de natureza, assim beneficiando todos que ali moram e desfrutam dessa bela região”, explicou.

Ela lembra, ainda, que a região que Paranaguá está inserida abriga importantes áreas protegidas, como o Parque Estadual Ilha do Mel, a Estação Ecológica do Guaraguaçu, Parque Estadual do Palmito, além de uma Reserva Indígena.

Educação ambiental

Para a especialista, uma maior valorização dessas riquezas passa por ações de educação ambiental. “Isso é fundamental para que moradores, visitantes, enfim, toda a sociedade entenda o valor dessa região e sua importância para toda a sociedade. Por meio da educação acredito que a sociedade começa a entender o quanto é responsável por cuidar e manter a diversidade natural e cultural dessa região, é refletir sobre as possibilidades e oportunidades de um desenvolvimento sustentável,  que considere a vocação e os valores naturais e culturais, e que traga benefícios aos moradores que vivem nessa região”, considerou Elenise.

Desenvolvimento sustentável

A bióloga acredita ser fundamental o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico com a conservação do meio ambiente. “Paranaguá pode ser um portal da Mata Atlântica, criando espaços urbanos que mostrem toda a biodiversidade e cultura dessa região, valorizando a cidade e atraindo mais turistas. Paranaguá tem um potencial imenso de se transformar em um local de turismo de natureza, com áreas de observação de aves, contemplação de paisagens, passeios guiados de barco, são várias opções”, afirmou Elenise.

Espécies símbolos da cidade

Saíra-militar (Foto: Fernanda Felisbino)

Falando sobre as espécies de animais que podem ser encontradas na região, a bióloga ressalta que Paranaguá tem inúmeras espécies de aves nas ilhas e no continente. “Há dois importantes dormitórios do papagaio-de-cara-roxa na região: na Ilha do Mel e na Ilha da Cotinga, observação que pode ser realizada ao amanhecer e entardecer, um belo espetáculo da natureza. Outras aves da baía que podem ser observadas são: guará, colhereiro, garças, o gavião-caranguejeiro, além de inúmeras espécies que podem ser observadas em áreas naturais próximas da cidade como o tiê-sangue, saíra-sete-cores, saíra-sapucaia, tucano, jacu e araçari-banana”, contou a bióloga.

Tiê-sangue (Foto: Fernanda Felisbino)

Apesar de uma vasta lista de espécies, ela acredita que o papagaio-de-cara-roxa é o símbolo da região. “É uma espécie endêmica do litoral do Paraná e sul de São Paulo. O monitoramento dessa espécie demostrou o quanto as áreas de floresta e manguezal de Paranaguá são fundamentais para a sobrevivência dessa espécie que encontra alimento, cavidades para se reproduzir e locais adequados para descansar. A sua beleza atrai visitantes do mundo inteiro. É uma espécie carismática para ser um “embaixador” de ações de educação ambiental”, observou Elenise.

Paixão pelos animais

A também bióloga, especialista em Educação Ambiental e mestranda em sistemas costeiros e oceânicos pela UFPR, Fernanda Felisbino Ferreira da Silva, criou o instagram @avesdeParanagua para fazer o registro fotográfico de aves que encontra na cidade. Em um mês, ela fotografou 60 espécies.

“Minha pesquisa científica no mestrado é com a tartaruga-verde aqui no litoral do Paraná. Mas, durante a pandemia de Covid-19, trabalhando em home office, descobri o quão rica é a diversidade de espécies de aves que voam pela nossa cidade. Eu e minha mãe construímos um comedouro no nosso quintal, moramos nas proximidades do Parque Estadual do Palmito, que é uma unidade de conservação que ajuda na manutenção de diversas espécies nativas da fauna e flora no nosso Estado”, relatou Fernanda, sobre como começou a fotografar as aves.

“Só cuidamos daquilo que amamos e só amamos aquilo que conhecemos”, destacou a bióloga Fernanda Felisbino

Aos poucos, começaram a aparecer diferentes espécies de aves, que despertaram nela o interesse em estudar e conhecer mais sobre essa área. “A importância de conhecer nossa avifauna é entender que a natureza precisa ser respeitada, muitas aves ajudam na manutenção das florestas com a dispersão de sementes. Todo ser vivo tem seu papel e para ajudar a preservar, primeiro precisamos conhecer! Afinal, só cuidamos daquilo que amamos e só amamos aquilo que conhecemos. O que me motiva é a sensação de gratidão em saber que eu moro em um paraíso e que pode ser preservado o que ainda resta dele: nosso resquício de Mata Atlântica e manguezais”, concluiu Fernanda.