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Opinião

NAVIOS FAMOSOS

“Peguei um Ita no Norte e vim ao Rio morar. Adeus meu pai, minha mãe, adeus Belém do Pará”

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O FAMOSO “ITA”

Por Geert Prange, engenheiro naval

Peguei um Ita no Norte e vim ao Rio morar. Adeus meu pai, minha mãe, adeus Belém do Pará”. Os mais antigos devem lembrar-se dessa musiquinha singela, mas cativante, composta por Dorival Caymmi em 1940, e que acompanhou a carreira de uma “raça” de navios que marcou época na história do Brasil na primeira metade do Século XX.  Escalando unicamente em portos nacionais, do Norte ao Sul, e na ausência de estradas ao longo da costa do país ou muito antes do transporte aéreo existir, os navios de cabotagem da classe ITA realizavam a integração territorial brasileira, transportando pessoas, mercadorias, cartas e demais artigos, sem o que o brasileiro do Sul não teria sabido o que é vatapá, nem o nordestino o que era queijo de Minas, para ficar em dois simples exemplos da troca de conhecimento. 

Tudo girava em torno dos 21 navios, de pequenos a grandes, pertencentes à hoje extinta Companhia Nacional de Navegação Costeira (ou simplesmente “Costeira”), tendo todos os nomes começando com “ITA”: Itapagé, Itagiba, Itatiba, e assim por diante. Eram divididos em 3 categorias, pequenos (de até 60 metros, sem passageiros), médios (de até 90 metros, com até 140 passageiros) e grandes (até 120 metros, com até 280 passageiros em 3 classes de acomodação).  Viajar nesses navios era o máximo em matéria de luxo e diversão para os abonados. Também nasciam e morriam pessoas em viagem. Um dos brasileiros mais conhecidos a nascer num ITA foi o ex-presidente Itamar Franco (1930 – 2011), nascido na viagem de sua mãe grávida de Salvador ao Rio de Janeiro, e cujo nome certamente deriva desse fato.  

Os “ITA” deram sua contribuição durante a 2a. Guerra Mundial, mas sofreram algumas perdas nessa luta. O “Itagiba” foi afundado pelo submarino alemão U-507 em 17/08/1942, quando morreram 36 dos 119 ocupantes do navio brasileiro.  Analogamente, o “Itapagé” foi afundado em 26/09/1943 pelo submarino nazista U-161, torpedeamento que matou 22 dos 106 dos brasileiros a bordo.  O “Itaúba” foi convertido em Navio Auxiliar da Marinha do Brasil e rebatizado com o nome de “Vital de Oliveira”, soçobrando após um ataque de torpedos do U-861 em 19/07/1944.  A classe inicial dos navios “ITA” sobreviveu até 1970, quando a Costeira encerrou suas atividades em consequência do estado lastimável em que se encontravam seus navios.

Por decisão federal, nascia a empresa de navegação “Lloyd Brasileiro”, que construiu 14 embarcações de porte maior, agora denominados de “Liners”. 

Todos os navios, outra vez, ostentavam nomes começando por “ITA”, desta vez realizando transporte não só de cabotagem, mas também internacional. Foi nessa classe que se iniciou a exportação, por exemplo, de óleo de soja degomado em volumes de algumas centenas de toneladas, em tanques pequenos quando comparados aos milhares de toneladas que hoje são movimentados por Paranaguá.  Também a importação de insumos e artigos da indústria pesada vinha pelos “ITA”, como a vinda de batatas-semente da Holanda para a antiga Cooperativa Agrícola de Cotia – SP, ou a importação de alho a granel para empresas do Paraná, ou importação de máquinas de terraplenagem para a construção da E.F. Central do Paraná  Começou com os novos “ITA” a exportação de frango congelado, produzido em cooperativas catarinenses e paranaenses, motivando a construção de entrepostos frigoríficos em Paranaguá para a estocagem das aves. Convém lembrar que ao final dos anos 70 e começo dos anos 80, ainda se exportava o “ouro verde” ensacado por aqui, em volumes que, de certa feita, foram os maiores de todo o País, contados em milhões de sacas de café verde.

Com estas verdades aqui na escrita, resume-se a história dos “ITA”.

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