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Espaço Poético

Esta Mulher

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Esta mulher que você vê aqui
Não tem nada.
Suas mãos não exibem anéis,
Mas as borboletas fazem ninhos.
Não tem outro ornamento
No peito dela
Além de um rubi pulsante,
Nem qualquer outro vestido que a cubra
Do que as pegadas que seu amante deixou.
Esta mulher que você vê aqui
Sempre andou descalça,
Não tem passaporte,
Nem carteira de identidade,
Tampouco tem esperança.
E mesmo que não tenha nome
Os pássaros a chamam.
Esta mulher que você vê aqui
Não tem casa
E como cama, um sorriso é o suficiente.
Enfrenta o mundo
Da sua única janela
Que revela que ela está viva.
Esta mulher que você vê aqui
Não tem mais nada
Além de um grande amor distante
Que ainda lhe faz brotar
Mil estrelas na barriga.
Amor para o qual ela se veste de luz,
Ficando em silêncio,
Pedindo que as nuvens os inflamem,
E que as noites não acabem.
Esta mulher que você vê aqui
As vezes nem sabe se realmente existe.
Fragilizada, se transforma em flor,
Ou em rajada de vento, que assustada
Corre para se refugiar na sua palavra,
E se esconder nas linhas do seu poema.

Autoria: Juciane Afonso

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