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Editorial

Fraternidade na prática com acolhimento de moradores em situação de rua durante o inverno

Pense de forma coexistente e raciocine: se o frio já é difícil para mim, com uma casa, roupas e um certo conforto, imagine como ele é para quem precisa viver no relento, muitas vezes sem agasalho e cobertor? Exercer o bem compartilhando mensagens nas redes sociais é importante, mas é fácil e muitas vezes altruísta. Ser fraterno com pessoas excluídas socialmente na prática é exercer a beneficência de verdade

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A vida passa cada vez mais rápido em sociedade. Muitas vezes não temos tempo de dar atenção aos familiares como deveríamos, de conversar com nossos amigos e colegas, de praticarmos nossa religião e de fazer o bem ao próximo, algo que se acentuou com o distanciamento social devido à pandemia da Covid-19. Para muitas pessoas, tudo é colocado de lado, priorizando o trabalho e a busca pelo dinheiro que é tratado como única maneira possível de se chegar à felicidade plena. É sim verdade que necessitamos de renda para sobrevivermos com dignidade, para nos alimentarmos, realizarmos alguns dos nossos sonhos, entretanto, não podemos jamais esquecer que enriquecer a alma só acontece através de atos de amor, respeito e solidariedade.

Um exemplo disso é a questão dos moradores em situação de rua que, para muitas pessoas, são tratados como seres invisíveis. Esta questão social não é exclusiva de Paranaguá ou do litoral, mas de todo o Brasil. É algo crônico que deve ser solucionado com políticas públicas sérias de inclusão social e do ponto de vista de saúde coletiva e individual. Além do Poder Público, todos os cidadãos, que possuem condições para tal, podem e devem ajudar estas pessoas que precisam viver diariamente nas ruas, expostos à criminalidade, chuva, fome e, mais precisamente no inverno, ao frio extremo. São vidas em risco, algo visível a cada esquina ou calçada.

Nesta semana, a Prefeitura de Paranaguá, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), realizou uma importante ação dentro das políticas públicas já aplicadas no município na área social: a destinação do Ginásio Joaquim Tramujas como local de acolhimento provisório aos moradores em situação de rua do frio. Kits de higiene, alimentação e locais adequados para dormir aquecido são destinados a essas pessoas. Neste ponto, a Semas afirma que está realizando também a doação de roupas quentes aos cidadãos em situação de rua, mas precisa também do apoio da população para doação de agasalhos, algo que pode ser feito por todos nós no Centro POP. A soma de esforços entre o Poder Público e a sociedade é essencial para superarmos nossos problemas de forma conjunta.

A empatia, tão defendida em editoriais da Folha do Litoral News, não é fácil de ser exercida. É uma tarefa difícil, que exige fé, paciência e humanismo. Se colocar no lugar do outro é algo árduo, ainda mais quando o outro é tão diferente de nós. Entretanto, exerça de fato a sua fé, seja ela qual for, pense de forma coexistente e raciocine: se o frio já é difícil para mim, com uma casa, roupas e um certo conforto, imagine como ele é para quem precisa viver no relento, muitas vezes sem agasalho e cobertor? Exercer o bem compartilhando mensagens nas redes sociais é importante, mas é fácil e muitas vezes altruísta. Ser fraterno com pessoas excluídas socialmente na prática é exercer a beneficência de verdade.