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Economia

Exportação de carne em alta para a China encarece preço para consumidores brasileiros

Previsão é que preço baixe apenas em fevereiro de 2020. Festas de final de ano terão produto a preço mais alto para consumidores no Brasil (Foto: Abiec/EBC)

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FGV destaca alta de 5,26% no preço da carne em novembro, dez vezes mais do que em outubro

O Brasil é o maior exportador global de carne bovina, algo que fez com que o País faturasse mais com a demanda alta de produtos da China afetada pela peste suína no final de 2019. Entretanto, a compra alta chinesa dos frigoríficos brasileiros fez com que o preço ficasse mais alto para o consumidor local. A situação ocorre pelo excesso de demanda no País, porém com a oferta sendo majoritariamente encaminhada para solo asiático.

"Os consumidores brasileiros estão, por tabela, pagando mais pelo produto nos açougues, enquanto frigoríficos têm sido pressionados a fazer ofertas recordes por bois nas fazendas", explica a agência Reuters. "A fome chinesa para preencher o buraco deixado pela peste suína africana na criação de porcos já é sentida setorialmente nos índices de inflação no Brasil e ainda pressiona margens da maior parte dos frigoríficos do País", detalha a mesma agência.

De acordo com associação da indústria Abrafrigo, com o impulso dos chineses, que elevaram as compras de carne bovina do Brasil em 23,6% de janeiro a outubro de 2019, para cerca de 320 mil toneladas, o País exportou 11% mais no período, para 1,47 milhão de toneladas.

Além da forte demanda da China após novas habilitações de indústrias de bovinos pelos chineses, que passaram de 16 no início do ano para 40 unidades atualmente, segundo a Abrafrigo, um dólar em máximas históricas frente ao real também favorece as exportações.

"Estamos no auge da captação desses aumentos de preços, a carne vai continuar subindo e vai impor um desafio para a dona de casa. Quando a carne bovina sobe, outras carnes também sobem, ainda que não houvesse razão para isso, elas sobem pela questão da substituição (do produto)", afirma o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

FESTAS DE FINAL DE ANO

Outro fator preocupante ao consumidor brasileiro é a proximidade com as festas de final de ano, período que gera demanda maior por carnes. Além disso, outro item que aumenta a demanda pelo produto é o pagamento da primeira parcela do 13.º salário em novembro, bem como oferta mais restrita de bovinos para abate por produtores no País.

"A gente já está assistindo a uma alta forte, tem a ver com sazonalidade, e também com demanda chinesa. Isso gera choque de oferta", ressalta Braz.  "Com a chegada do 13.º, o consumidor compra mesmo, e este comprar é o sinal verde para aumento de preços. O dever de casa seria comprar menos, mas vai dizer para a pessoa não celebrar o final do ano?", questiona o economista.

FGV

De acordo com o Índice de Preços ao Produtor Amplo, da FGV, a carne bovina teve uma alta de 5,26% em novembro, dez vezes mais do que o visto em outubro. "Dá para ver que houve um avanço significativo no preço da carne bovina, já pronta para ir para o açougue", ressalta André Braz. Ainda segundo o índice, neste mês o FGV constatou alta de 6,04% no preço do contrafilé bovino, enquanto em outubro a alta foi de 2,69%.

"Parte da alta ao produtor é repassada, e dado que está subindo ao produtor, a carne vai continuar pressionando inflação em novembro e dezembro", disse Braz.

"Isso no momento em que o preço da arroba do boi gordo, acompanhado pelo indicador Esalq/B3, atingiu um recorde de R$ 204,05 na terça-feira, acumulando alta de 19,54% no mês, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que também registrou nesta semana nova máxima histórica para a carcaça bovina na Grande São Paulo, de 13,90 reais/kg. A inflação no País, no entanto, tem se mantido abaixo do piso da meta oficial para 2019, de 4,25% pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos", informa a Reuters.

PREÇO MAIS BAIXO DEVE OCORRER SÓ EM FEVEREIRO

Segundo o economista André Braz, da FGV, o preço da carne deve cair somente no fim de janeiro. "Lá para fevereiro e março a carne começa a devolver uma parte do aumento", comentou ele, destacando que para isso também será necessário que o clima esteja normal para as pastagens dos bois, por exemplo, o que favorece a continuidade da produção.

 

*Com informações da Reuters

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