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Apenas 8% dos brasileiros conseguiram guardar dinheiro em 2018

14 de maio de 2019

Falta de políticas públicas de educação financeira é apontada como um dos principais fatores para o endividamento

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Especialista defende a inclusão da educação financeira nas escolas

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revelou que apenas 8% da população economicamente ativa conseguiu guardar algum dinheiro em 2018. O levantamento ainda mostrou que os brasileiros não possuem a real noção do que é uma aplicação financeira, pois quando os entrevistados da pesquisa foram questionados, 25% deles afirmaram que haviam feito um investimento. Entretanto, muitos consideraram a compra de bens duráveis como carros e imóveis e reformas residenciais.

Esse estudo evidencia um problema que muitos já conhecem e vivenciam no seu dia a dia: a dificuldade em poupar e o aumento das dívidas. A falta de políticas públicas e privadas de educação financeira é apontada como um dos principais fatores para o endividamento do brasileiro. Além de também ser papel dos adultos no processo de ensinar os filhos a lidar com o dinheiro, muito tem se falado da necessidade de incluir a temática nas escolas.

Segundo a advogada, professora da Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDConst) e membro das comissões de Direito do Consumidor e Direito Bancário da OAB/PR, Andressa Jarletti, a educação financeira poderia e deveria ser ensinada desde a infância. “Um dos projetos de atualização do Código de Defesa do Consumidor prevê justamente a inclusão da educação financeira e para o consumo consciente e sustentável desde o ensino básico. Os pais também têm um papel importante, mas devemos reconhecer que nossa população em geral não foi educada financeiramente”, disse Andressa.

MAIORES ERROS

Para a especialista, há três problemas principais. “Primeiro, a falta de hábito em elaborar um orçamento familiar, que é necessário para sabermos como e quanto gastar. Segundo, a falta de definição de prioridades, já que muitas vezes gastamos com produtos e serviços que não são essenciais.  Terceiro, a falta de conhecimento para avaliar o custo do crédito”, avaliou Andressa.

“Devemos reconhecer que nossa população em geral não foi educada financeiramente”, disse a advogada e membro das comissões de Direito do Consumidor e Direito Bancário da OAB/PR, Andressa Jarletti

A crise financeira fez com que o brasileiro repensasse seus hábitos de consumo. “A crise impulsiona mudanças de hábitos, forçando as pessoas a reduzir despesas e buscar fontes alternativas de receitas. Muitas pessoas aproveitam a crise para tentar empreender e ter nova fonte de renda. O compartilhamento de produtos e serviços também cresce com a crise, como forma de reduzir custos”, observou Andressa.

Segundo a advogada, o custo de vida no Brasil em geral é muito alto e o salário mínimo não é suficiente para arcar com as despesas das famílias. “O custo mais alto, sem dúvida, é o custo do crédito. Nossas taxas de juros bancários estão entre as maiores do mundo e podem levar facilmente o consumidor a um endividamento excessivo”, ressaltou Andressa.

COMO COMEÇAR A POUPAR?

Poupar é um hábito que pode ser buscado independente da renda da pessoa. “Existem pessoas que ganham muito e não poupam e outras que conseguem se programar e poupar um pouco todo mês mesmo com renda baixa”, enfatizou Andressa.

A primeira dica da especialista é avaliar as necessidades de consumo. “Antes de comprar algum bem, devemos fazer três perguntas: 1) realmente eu preciso? 2) posso pagar? 3) tem que ser agora? Quando refletimos sobre como consumir e como gastar passamos a entender a importância de poupar dinheiro para comprar somente o que realmente precisamos”, afirmou Andressa.

COMPRAS PARCELADAS

O mais indicado é comprar à vista para evitar o endividamento e conseguir desconto. “A compra à vista deveria ser estimulada porque economicamente teria sempre o menor custo, já que pagamento a prazo sempre tem juros embutidos. O problema maior não é comprar a prazo, mas fazer muitos parcelamentos sem planejamento, comprometendo a renda do consumidor de modo que lhe impeça de ter reservas financeiras para os casos de infortúnios, como perda do emprego, doenças e tantas outras situações que afetam a condição econômica do consumidor e podem inviabilizar o pagamento das dívidas”, concluiu Andressa.

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