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´Ser mulher é ter consciência dos seus objetivos e lutar para chegar lá´

08 de março de 2019

A delegada de polícia Maria Nysa Moreira Nanni frisou a força de vontade das mulheres para ir atrás de seus sonhos.

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A cada ano, um número maior de mulheres assume cargos de comando nas polícias brasileiras. Apesar de o ambiente ainda ser preenchido por mais homens, esta realidade está em transformação justamente pela determinação do público feminino. A delegada de polícia Dra. Maria Nysa Moreira Nanni atua no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) de Paranaguá, local que também recebe os casos de violência contra a mulher.

A delegada, natural de São Paulo, começou sua carreira na polícia em 2008. “O objetivo inicial quando saí da faculdade era aprofundar o conhecimento jurídico, desenvolver segurança para decidir as estratégias de trabalho e experiência, pois o profissional do Direito deve assumir sua responsabilidade com a vida das pessoas que dependem de seu trabalho”, explicou.

O avô paterno, que desempenhou a mesma função, foi sua inspiração. Além dele, as mulheres da sua família também foram fundamentais na sua trajetória.

“Na minha formação, minha avó e mãe que me educaram para ter, em primeiro lugar, o propósito de estudar e ser dona de minhas decisões, ainda que elas mesmas tivessem sido educadas para o casamento em primeiro lugar. Há um rol interminável de mulheres admiráveis e que busco seguir. Para pontuar a luta das mulheres temos a Maria da Penha. Mas a referência incontestável de enfrentamento é Marielle Franco, que foi homenageada no Carnaval carioca. Todas as mulheres que deram suas vidas, seu tempo, paciência e saúde para cuidar do outro, para lutar por direitos, para ensinar, para tornar o mundo melhor, em todas essas eu busco inspiração”, lembrou a delegada.

DESAFIOS DA PROFISSÃO

A delegada contou que, atualmente, com a regulamentação das atividades, não sentiu dificuldades em exercer a profissão predominantemente ocupada por homens. “O maior desafio da profissão, de delegado de polícia, na realidade, é administrar crises diárias originadas pela falta de servidores, mas também pelo desconhecimento que a sociedade tem sobre a atividade policial”, declarou Maria Nysa.

Para as mulheres que enfrentam dificuldades em carreiras com predominância numérica de homens, ela ressalta que essas estão em um caminho de luta e são admiráveis por isso. “Essa luta torna forte não apenas a mulher que está enfrentando o problema diretamente, mas todas as mulheres se tornam fortalecidas”, comentou a delegada.

As mulheres pioneiras sempre sofrerão mais, mas também serão as referências necessárias às demais mulheres do futuro. “Além disso, devemos trabalhar na atividade que nos faz feliz, independentemente de qualquer padrão cultural que desmereça a competência feminina, principalmente para provarmos que tais padrões estão errados”, explanou Maria Nysa.

A mensagem da delegada é para que as mulheres sonhem seus próprios sonhos, de enfrentamento e liberdade.

“O trabalho policial me deu a oportunidade de entender que todo romantismo é prejudicial à mulher. O que é fundamental para a felicidade feminina é estudar, planejar a vida e empoderar-se”, reiterou a delegada.


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