Logotipo

Cultura Viva

Por Ivone Marques, professora e poetisa.

Tempos Festivos

05 de dezembro de 2018

Estamos no mês do Natal. Muitas pessoas irão desfrutar a alegria das boas surpresas, com presentes trocados entre amigos que se estimam e se respeitam. Outras, entretanto, a grande maioria, irão passar a noite mais significativa para os cristãos, amargando frustrações impostas por carências financeiras ou ausência de amizades sinceras. Sem dúvida, o melhor da noite de Natal é a comunhão dos familiares. A sinceridade, o afeto que entrelaçam os seus membros superam as ofertas materiais, embora receber presentes, sobretudo os inesperados, levanta o astral de nós, frágeis seres humanos.

As famílias que comemoram unidas o Natal reforçam a ternura, a bondade, o sentido mais profundo da piedade cristã emanada da lembrança do nascimento de Jesus. Nos braços, nos sorrisos sinceros reafirma-se o amor que gera o respeito que deve ser o elo mais forte a unir as criaturas de Deus. Sem essas manifestações o Natal perde todo o sentido, transformando-se em meras reuniões de pessoas ávidas por prazeres fugazes logo substituídos por outros que raramente permanecem na lembrança. Passado o Natal, aguarda-se a passagem para o ano novo.

O réveillon também comemorado com alarde é outro momento propício para se estreitar relações com pessoas queridas. E nos votos de feliz ano-novo trocados entre abraços e beijos, transmite-se a esperança de se viver o novo ano com confiança no crescimento da cidade, do estado e do país. Para nós, brasileiros que vimos amargando profundas desilusões com a realidade presente, recrudescem as esperanças de que 2007 seja um portal escancarado para realizações que reabilitem a moral abalada por comportamentos indignos dos cidadãos que foram escolhidos pelo povo para serem os guardiões dos nossos mais sagrados bens. Rogamos aos políticos para que acordem para a situação real da vida de milhões de brasileiros que vivendo sob condições deploráveis, sem expectativas de desfrutar dos recursos necessários para sobreviverem com menos desilusões, com mais confiança num futuro seguro.

Urge pensar nas crianças, que vivendo precariamente, não sentem o sentido da vida, não sonham, porque o meio que as rodeia não provoca ilusões de que o amanhã poderá ser diferente, portador de novas alegrias. E são levadas nas sucessões de dias iguais, marcados pelo desencanto, pela tristeza que as torna descrentes de que um dia poderão acordar para uma outra realidade mais feliz.

Fotos

Compartilhe