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Crônicas

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

Viajar

09 de janeiro de 2020

Viajar é bom. Eu diria até mais, é ótimo!

Viajar faz a gente desprender-se um pouco de nós mesmos. Assumimos um outro eu que se esconde dentro de nós. Num lugar onde somos anônimos, a gente se permite fugir da nossa rotina cotidiana e de nossos hábitos previsíveis.

Em cena, esse novo “eu” faz a gente arriscar passos de um tango sem nunca termos dançado. Aventurar-se dentro de um bote num rio com correntezas. Mergulhar e dar uma espiada em como é a vida submarina. Escalar montanhas. Andar de buggy nas dunas. Querer tocar berimbau. Andar a cavalo ou de camelo. Viajar faz a gente não se reconhecer.

E não nos reconhecendo a gente continua experimentando. Experimentamos comidas exóticas. Exageramos em temperos desconhecidos. Aguçamos o nosso paladar e vamos descobrindo novos sabores.

 Descobrimos também que o não compromisso com o relógio pode ser altamente benéfico. E aí, tanto faz se acordamos cedo ou tarde ou se vamos para cama justamente na hora em que o sol desponta. Viajar faz a gente ficar mais flexível.

Essa flexibilidade acaba permitindo que a gente faça novas amizades, converse sobre outros assuntos, e não dê tanta importância se a pronúncia está certa ou errada. Vamos nos comunicando e aprendendo.

E a gente aprende que viajar é sinônimo de não ficar parado. Viajar é libertar-se de certas amarras. É entregar-se ao novo, ao desconhecido e o que a nós se apresenta. É soltar um grito de liberdade

Liberdade para andar sem pressa na chuva. Tomar um banho de mar noturno. Fazer longas caminhadas e seguir viagem conhecendo novos lugares, apreciando as paisagens, adaptando-se a novas culturas, a novos padrões, a outros povos e civilizações.

Viajar é carimbar um passaporte em que se permite ousar, arriscar, descobrir e se aventurar.

Mas viajar também implica um retorno. É no fechar a conta do hotel que se vê o prenúncio do ponto final. Arrastam-se as malas, cheias das lembranças compradas, que há essa altura a gente já começa a se questionar onde e como vai usar o berimbau. E como não fazemos a menor ideia, seguimos sem resposta. Mas são as bagagens interiores que trazem as preciosidades. Estas costumam vir recheadas de novidades e muitíssimas histórias para contar. Porque nenhuma viagem faz a gente voltar do mesmo jeito que se foi.

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