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Crônicas

Kátia Muniz é formada em Letras e pós-graduada em Produção de Textos, pela Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (hoje, UNESPAR). Foi colaboradora do Jornal Diário do Comércio por sete anos, com uma coluna quinzenal de crônicas do cotidiano. Nos anos de 2014, 2015 e 2016 foi premiada em concursos literários realizados na cidade de Paranaguá. Em outubro de 2018, foi homenageada pelo Rotary Club de Paranaguá Rocio pela contribuição cultural na criação de crônicas.

Maternidade

09 de maio de 2019

Quando uma mulher diz que optou por não ser mãe, eu respeito a escolha e não estendo o assunto com questionamentos ou ponderações. Nem todas nasceram para a maternidade. Carregamos o potencial de gerarmos a vida, mas nem sempre se tem a vocação.

Porém, a opção pela “não maternidade” deve ser pensada e repensada para que não haja arrependimentos futuros. Dizer “não” é uma escolha, desde que ela não venha acompanhada de culpa.

Faço parte da imensa maioria que resolveu procriar e se admirar com o balé mensal das transformações no corpo que a natureza é capaz de promover. Gerar foi uma decisão acertada e jamais me provocou um segundo sequer de arrependimento.

Gastei horas em pediatras, tentando fazer o bebê dormir, juntando brinquedos, fazendo sopinhas e alimentando, contando historinhas, ensinando a falar, a desfraldar, esperando que ele se esbaldasse em brinquedos infláveis.

Sou mãe, mas também sou realista. Admito sem nenhuma culpa que a maternidade é linda e é uma pedreira. E nunca gostei da frase: “Ser mãe é padecer no paraíso”. Quem disse isso? Deve ter sido alguma mãe combalida pelas frequentes noites mal-dormidas. Desconsidere esse mantra. Paraíso é outra coisa. As praias de Fernando de Noronha e da Tailândia encaixam-se melhor nos exemplos.

Na sala de parto, nascemos para a maternidade e enterramos quem um dia fomos. Há um nascimento e um luto, no mesmo momento, por mais controverso que isso possa parecer. Nunca mais seremos as mesmas.

A maternidade é uma viagem com passagem só de ida. Não há ex-mães. Uma vez mãe, mãe para toda a vida.

Seguimos na árdua tarefa de educar, sem nenhuma cartilha, nem manual de instrução. Levamos em conta a intuição, os mandamentos do coração e a voz da razão. Vamos orientando os caminhos, cimentando a base, tentando proteger a prole das intempéries da vida, assoprando machucados, explicando sobre as escolhas. É um looping de erros e acertos.

Depois de um tempo, o que nos resta é acompanhar de soslaio se eles assimilaram nossas orientações. Não há muito o que se fazer. A parte árdua do todo é a infância, é a formação do indivíduo. É aí que devemos prestar atenção, e intensificar os bons exemplos. Refletimos hoje resquícios do nosso passado. É só dar uma olhada para trás para entendermos melhor nossos comportamentos.

O que nos espera lá na frente será um olhar voltado para nós mesmas. Deixar a prole seguir sozinha, bater as próprias asas é sinal de que nossa parte foi cumprida, basta agora apreciar o voo deles, com o coração cheio de amor, que é a nossa fonte inesgotável.

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