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Crônicas

Amigos que ficam

É estonteante quando as almas se reconhecem

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Uma hora acontece. Você não planeja nada. A pessoa encosta do seu lado puxa um assunto qualquer e das duas uma: ou tudo flui, maravilhosamente, bem ou nada se encaixa.

Isso pode acontecer a qualquer momento da sua vida, tenha você três ou oitenta anos. Não importa. Basta que estejamos abertos às novidades e às surpresas que a vida trata de colocar à nossa frente. 

Não ser hermético conta muitos pontos. Sisudez não atrai ninguém. Falta de educação, dispensa comentários.

Estou falando sobre amizades, caro leitor.

Vocês se conheceram no jardim I e, a partir daí, selaram uma união e uma cumplicidade que são carregadas para a idade adulta. Vocês já dividiram confissões, já enxugaram reciprocamente muitas lágrimas, já vibraram com vitórias, já se decepcionaram lado a lado, já ficaram sem se falar por um tempo, já fizeram planos, já abandonaram outros tantos, e seguem por aí, acumulando histórias.

É estonteante quando as almas se reconhecem. Faz um bem enorme carregar com a gente aquela pessoa que compreende os nossos absurdos e nos dá a mão indicando que devemos seguir em frente, mas não sozinhos.

Aquela pessoa em que a gente sabe que pode pensar em voz alta, que é confiável, que está disposta a ajudar e não a fazer pré-julgamentos, que podemos escancarar o lado B, aquele que todo mundo carrega, mas que, por não fazer uma boa propaganda de nós mesmos, convém que o deixemos preso em algum canto dentro da gente. Até que tudo começa a pesar demais e dividir com alguém o nosso amargo é somente uma das formas de dar leveza à caminhada.

Temos amigos. Vários, por sinal. Amigos do trabalho, amigos para ir ao cinema, amigos com gostos gastronômicos idênticos, amigos que nos acompanham nos exercícios físicos, amigos para um happy-hour, amigos nas redes sociais. Nada impede a departamentalização.

Mas há aqueles que nos acompanham em tudo isso e muito mais. São para poucos que liberamos o acesso à nossa alma.

E são para esses, em especial, que dedico essa crônica.

Porque amigo de verdade é aquele que decide ficar, mesmo conhecendo o nosso avesso.

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