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Saiba os motivos da instrução de vacinação do sarampo para crianças até um ano

23 de agosto de 2019

“Pais devem ficar atentos a três sintomas interessantes, um deles é a febre muito alta, as manchas vermelhas pelo corpo e a conjuntivite”, afirma o médico Jonathan Aredes

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Médico explica como diferenciar sintomas dessa e de outras doenças

Durante esta semana, a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) confirmou o segundo caso de sarampo no Paraná. Um morador em Curitiba, de 54 anos, contraiu a doença em agosto quando viajava por Estados com surto de sarampo, algo que foi confirmado na capital paranaense na quarta-feira, 21. Antes dele, uma mulher de 41 anos, residente em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, viajou para São Paulo e contraiu o sarampo, confirmando o primeiro caso da doença após 20 anos sem registro no Estado.

Além disso, na quinta-feira, 22, uma nova instrução foi concedida pelo Ministério da Saúde (MS), indicando que crianças entre seis e onze meses de idade devem receber a dose zero da vacina contra o sarampo. Além desta dose, as crianças receberão mais duas – uma aos 12 meses e outra com 15 meses de vida, com vacinação realizada pelas unidades de saúde em Paranaguá e no litoral. 

O médico Jonathan Wilian de Sá Aredes ressaltou a importância da vacinação como forma de prevenção ao sarampo. “A única forma de prevenção é a vacina. Não existe outra forma eficaz de prevenir até agora estudada e comprovada. O sarampo é uma doença viral aguda altamente transmissível, caracterizada principalmente por febre, manchas pelo corpo e sintomas respiratórios como tosse, falta de ar, algo acompanhado, por exemplo, de conjuntivite, que é uma inflamação nos olhos”, complementa.

“O Ministério da Saúde está fazendo uma medida preventiva. A preocupação com esta faixa etária é porque em surtos anteriores do sarampo no Brasil foi em crianças com menos de um ano que a doença evoluiu para casos mais graves, inclusive com óbitos. Essa faixa é de crianças entre seis meses e um ano de idade. Por esse motivo eles notaram a necessidade de que todas essas crianças sejam vacinadas, considerando a necessidade de trânsito de pessoas doentes para regiões afetadas e não afetadas pelo sarampo. Tudo é possível. É um momento da vida da criança em que elas são bastante suscetíveis pela questão da imaturidade da imunidade delas. É um período de transição, por exemplo, da amamentação materna exclusiva, da questão da imunidade, enfim, está tudo relacionado. É uma faixa etária que fica suscetível por questões inerentes à imunidade baixa dessas crianças”, afirma o médico. 

IMPORTÂNCIA DA ATENÇÃO DOS PAIS AOS FILHOS

“Os pais devem estar orientados, pois, por se tratar de uma doença viral, ela se confunde com muitas outras doenças características de algumas regiões, doenças sazonais, típicas da infância também, em que a maioria delas começa por febre, pode dar manchas pelo corpo, tosse, coriza, e o sarampo é muito parecido no seu prognóstico inicial. Os pais devem ficar atentos a três sintomas interessantes, um deles é a febre muito alta, além das manchas vermelhas pelo corpo e a conjuntivite, esses são três sinais muito específicos na criança que quando ela é encaminhada para uma avaliação médica elas podem fazer muita diferença no diagnóstico”, afirma o médico Jonathan Aredes.

Segundo ele, as manchas e a conjuntivite são sintomas bem específicos do sarampo. “A persistência da febre, a duração e intensidade dela também são. Tudo é computado para o médico fazer uma avaliação mais específica para poder diagnosticar ou não”, completa o médico.

A vacinação é a única forma de prevenção ao sarampo (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

TRATAMENTO

“O tratamento de sarampo vai variar de acordo com a apresentação desse quadro viral. Quadros mais simples, às vezes, são só sintomáticos, com medicação para febre, hidratação rigorosa, alguns casos podem ser tratados em casa, com os devidos cuidados, com isolamento. São várias situações, podendo inclusive em alguns casos as crianças precisarem ser internadas para tratamento hospitalar, com administração de medicações específicas como a vitamina A. Tudo depende de cada caso, da avaliação médica e da apresentação do quadro clínico da criança”, afirma Aredes.

PROXIMIDADE DE PARANAGUÁ COM CASOS DE CURITIBA 

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), dois casos de sarampo foram confirmados no Paraná, um deles em Curitiba e outro na Região Metropolitana (RMC) da capital, regiões próximas ao litoral e Paranaguá. “É muito importante salientar que um desses casos já foi noticiado em Curitiba e outro na RMC, regiões próximas a nossa, sendo que temos muitas pessoas de Paranaguá que trabalham em Curitiba e vice-versa. O fluxo e contrafluxo são muito grandes e a forma de transmissão é pelo contato. É muito fácil hoje em dia a gente transmitir doenças infectocontagiosas por conta do deslocamento. Consideramos Curitiba praticamente dentro de casa, é uma cidade muito próxima”, detalha o médico.

Jonathan Aredes emitiu um alerta à população parnanguara com relação à doença. “Temos que redobrar a atenção, não é difícil e talvez não tarde a primeira notificação de sarampo no litoral. A gente espera que não, mas temos que ficar de olho para poder evitar essa situação o quanto antes. A prevenção é a vacinação. É importante, o quanto antes, a gente se vacinar e vacinar os filhos, ver nossas carteiras de vacinas para verificar se tudo está completo, a gente evitar esses riscos de contágio do sarampo”, explica o médico.

GRAVIDADE

“O sarampo é uma doença grave, que pode causar a morte. Se não for levada a sério ela mata. O Ministério da Saúde (MS) fez essa determinação nessa semana de que crianças entre seis e onze meses de idade devem receber a dose zero da vacina contra o sarampo”, afirma o médico.


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