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Projeto Patas do Bem já colhe resultados da iniciativa em Paranaguá

24 de agosto de 2019

Aluno autista da Apae voltou a pronunciar algumas palavras após terapia com o cão Naruto

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Lançado há pouco mais de um ano, o projeto Patas do Bem é realizado em Paranaguá e leva o cão Naruto, da raça Golden Retriever, para auxiliar na chamada terapia assistida. Recentemente, integrantes do projeto, a terapeuta ocupacional da Apae, Escola Municipal Maria Nely Picanço, e professores da escola presenciaram um dos resultados da terapia com cães. O aluno Nilson de Moraes Basílio Júnior, de 16 anos, diagnosticado com autismo, voltou a falar algumas palavras durante o contato com Naruto, algo que emocionou quem estava presente.

O Patas do Bem é idealizado pela primeira-dama de Paranaguá, Amanda Pereira Roque, que explicou que o projeto é realizado na Apae, na Escola Municipal Eva Cavani e no CMAE (Centro Municipal de Avaliação Especializada).

“Para a gente foi tudo novo, são experiências novas, aprendemos todos os dias algo novo. Quando vemos a evolução das crianças para a gente é uma experiência única. Para as Terapeutas Ocupacionais que trabalham com a gente também é algo novo a terapia com cães. Essas profissionais sempre nos acompanham junto com o profissional da educação. A gente nunca se decepciona, só tivemos aprendizados e, por isso, está sendo incrível”, analisou Amanda.

“BEM FELIZ”

A terapeuta ocupacional, Genevière Camargo Leister, trabalha na Apae há dez anos e atende Nilson há bastante tempo. Desde fevereiro, o aluno participa da terapia e, no seu ritmo, foi criando proximidade com Naruto até que, na semana passada, expressou algumas palavras como “bem feliz”, “AuAu”e “Naruto, junto!”.

“O tempo de atenção do Nilson foi fantástico, eu nunca tinha visto ele falando dessa forma. No primeiro momento ele foi meio agressivo, não interagia, e a gente deixava livre para que ele busque e, a cada atendimento, ele se aproximava mais, ele deitou em cima do cachorro, até que ele falou. A mãe dele relata que ele falava mamãe e papai em casa, mas na semana passada ele falou dentro de um contexto. Na escola, até então, ele só entoava algumas musiquinhas e as professoras disseram que ele tem soltado mais algumas palavras”, contou Genevière, destacando a evolução do aluno.

Segundo ela, o cachorro é um co-terapeuta e fortalece o trabalho que já é realizado pelos profissionais da escola. “O Naruto se tornou um intermediário de atenção. Coisas que a gente não consegue sozinho, de olho no olho, de tempo de atenção compartilhada, de concentração, o cachorro conseguiu”, descreveu a terapeuta.

A turma acompanhada pela terapia na Apae é a de jovens e adultos.

“Eles estão saturados dessa rotina escolar, buscamos algo novo e quando a Amanda veio com a ideia da Pet Terapia pensei nessa turma. Melhorou muito a questão da autonomia, de movimentação, alguns têm mobilidade reduzida, querem fazer um carinho no cachorro e eles se esforçam ao máximo para conseguir abrir as mãos”, disse Genevière.

TREINAMENTO

O treinador e condutor de Naruto, Reginaldo Rodrigues Filho, relatou como tem observado o trabalho da terapia durante esse primeiro ano do projeto. “Tive um ganho muito importante no sentido de começar a compreender um mundo novo, nós estamos muito fechados na nossa comodidade e, quando começamos a entrar no mundo dos autistas, por exemplo, me chamou a atenção para isso. Fazer um contato visual e interagir, para um pai e para uma mãe que conhecem, a dificuldade é muito grande”, analisou Rodrigues Filho.

O primeiro atendimento de Naruto aconteceu quando ele tinha quatro meses, na Apae, também com um aluno autista. De acordo com Reginaldo, para a terapia, o cão precisa ser tranquilo para não arranhar, pular ou morder o paciente.

Geralmente, o Golden Retriever e o Labrador são as raças mais utilizadas pela aparência que possuem. “Ele faz a atividade assistida, que são as visitas nas escolas; intervenções assistidas com apoio de um profissional de saúde; e ainda tem a educação assistida, com auxílio de uma pedagoga”, explicou Rodrigues Filho.

 


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