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Centro de Letras

Revanche a apostas

04 de setembro de 2019

Alexandre Camargo de Sant’Ana

O primeiro jogo oficial do Rio Branco gerou duas confusões, mostrando que apesar do clima amigável – característico do futebol inicial – já havia espaço para certas tensões. Primeiro, o jornal “Diario do Commercio” afirmou ter sido o resultado melhor do que o esperado, afinal, o Brazil acreditava sair vencedor por mais de seis gols a zero. Tal afirmação não pegou muito bem e, no dia seguinte, membros da diretoria do Brazil foram à redação desmentir o boato, obrigando o jornal a retificar a notícia. Em seguida, o mesmo periódico publicou que o Brazil sugeriu apostar duas caixas de cerveja na revanche, mas acabaram abandonando a ideia porque “este Sport, não admitte apostas”. Os representantes da diretoria do clube retornaram à redação e explicaram o ocorrido e mais uma vez o jornal se corrigiu: indignado com a derrota do Rio Branco, um torcedor sugeriu o desempate valendo as duas caixas. A ideia ganhou aprovação entre o público e foi aceita até mesmo por alguns jogadores. Entretanto, rapidamente descartaram a proposta, pois apostas não eram permitidas.

Alguns jogadores do Brazil ficaram adoentados e o jogo de revanche não aconteceu, mas os desentendimentos revelam um lado diferente do futebol parnanguara: não tão amigável, com contestações dos resultados, apostas de cerveja e até mesmo provocações. Uma faceta distante daquele comportamento idealizado no qual a paz e a solidariedade reinariam, com as equipes e os jogadores se comportando civilizadamente. Assim como a prática do futebol escapou dos clubes e invadiu as ruas – deixando as normas para trás – as torcidas também viraram independentes das associações esportivas; apesar de representa-las e até mesmo defende-las, a ponto de gerarem certas confusões e atritos. Dentro do contexto de normatização da época, estes desvios eram inaceitáveis.

 

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