Logotipo

Centro de Letras

Primeiros Editais

13 de junho de 2018

Perseguindo o ideal moderno de higiene urbana e tentando melhorar a salubridade local, o coronel João Guilherme Guimarães, filho do Visconde de Nácar e primeiro prefeito eleito em Paranaguá após a Proclamação da República, abriu em 1895 a concorrência para os serviços de instalação dos esgotos e da água potável encanada na cidade. A quantidade de água por habitação não seria inferior a 500 litros e para garantir o lucro da empresa vencedora, esgoto e água seriam obrigatórios em todas as casas através de lei municipal.

Até 1897 nenhuma empresa apareceu e novos editais mais detalhados foram publicados. Tentando deixar ainda mais chamativo, a concessão do fornecimento de água seria por 50 anos e o limite mínimo de água passou a ser de 250 litros por habitante, bem acima do que a ONU considera suficiente para se viver, algo em torno de 110 litros.

Nos lugares designados pela Câmara seriam estabelecidos chafarizes para servir a população, lavanderias públicas e hidrantes para combater incêndios. Alguns dias após a publicação do edital, autoridades parnanguaras visitaram as cachoeiras dos Rios Miranda e Santa Cruz, na Serra do Mar, constatando que o volume de água era mais que suficiente e de magnífica qualidade.

Mesmo com todo o entusiasmo da elite política, os serviços não se concretizaram e no ano de 1899, em relatório para o prefeito João Guilherme Guimarães, o engenheiro Virgilio Ricardo dos Santos comentou o assunto. Segundo ele, todos conheciam as vantagens do sistema de água e esgoto e a câmara municipal deu todo o apoio ao prefeito para a contratação das obras. Porém, como ainda não havia esgotos, era necessário dar uma atenção maior às latrinas.

Água potável encanada em casa ainda iria demorar.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

Compartilhe