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Centro de Letras

Normatização

30 de janeiro de 2019

Simultaneamente à modernização da infraestrutura, o governo de Paranaguá (no início do século XX) também buscou alterar alguns costumes da população – leia-se, da parte pobre dos parnanguaras, distantes dos padrões burgueses. Isso ocorreu em áreas variadas, por exemplo: futebol, carnaval, mulheres e os menores de idade; quatro objetos altamente visados pelos transformadores sociais.

A respeito do futebol, o esporte era visto como algo moderno, possibilitando melhorar a educação e a saúde das crianças, entretanto, apenas se acontecesse dentro dos clubes, pois o futebol de rua era marginalizado e tratado como prejudicial à formação cidadã. O carnaval de rua precisava mudar e atitudes antigas (até mesmo culturais) deveriam sumir, permitindo o surgimento de um carnaval mais civilizado e moderno. O Estado também tentou padronizar os comportamentos femininos, partindo do conceito burguês de feminilidade, baseado na beleza e passividade das mulheres: as parnanguaras deveriam ser ótimas filhas, excelente esposas e mães totalmente dedicadas – sem voz. Quanto aos meninos (os menores), a padronização agia de várias maneiras. Uma delas, como disse anteriormente, era pelo futebol, mas havia a questão do jogo, dos pequenos furtos, das pichações e da educação formal, entre outras.

Neste processo de tentativa de padronização social, o jornal local e as autoridades municipais trabalhavam em sincronia: o primeiro denunciava os desviantes das normas e o segundo agia diretamente sobre os indivíduos. O jornal cobrava ações do governo e da polícia, mas também elogiava as intervenções sobre os parnanguaras considerados rudes e atrasados. Diferente de outras cidades, não houve a criação de um cordão geográfico em Paranaguá, dividindo os ricos e os pobres em áreas urbanas diferentes, todavia, a população mais carente foi o principal alvo da normatização modernista – pouco importava o contexto miserável no qual sobreviviam.  

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

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