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Centro de Letras

Mulheres no futebol

22 de janeiro de 2020

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana

Além de “diversão de nobres e plebeus, de ricos e de pobres, de pretos e de brancos”, de nacionais e estrangeiros, o futebol contava também com a participação das mulheres. Todavia, não passavam de torcedoras e eram sempre descritas pelos jornais como fãs interessadas somente em namorar os jogadores – ou seja, ocupavam um espaço predeterminado.

No final de 1913, o “Diário do Commercio” afirmou: “O sport-man, hoje, é amado, predilecto das moças”. Segundo o mesmo jornal (1914), na partida no campo da Praça João Gualberto, o “bello sexo” se fez presente; assim como no jogo entre Rio Branco e Paranaguá, que contou com a torcida de “de gentis senhoritas, da elite paranaguense, admiradoras do bello sport, partidárias e apologistas das duas sociedades”.

O jornal “O Tostão” publicou em 1916: “Domingo passado as meninas e moças, que quase não gostam de namorar, tiveram o prazer de hospedar em seus coraçãosinhos o affecto provisório dos Jovens da Capital. A hora da chegada do trem, a Praça Fernando Amaro apresentava um aspecto encantador, muitas senhoritas ali aguardavam o desembarque dos foot-ballers. O Trem chega, todas movimentam-se e com a maior alegria (.) Durante o match, ellas gosaram immensamente, namoraram, demonstraram partidarismo, (torceram!) etc”. Em certo momento “uma bolla muito bem schootada bate n’uma senhorita” e a torcida gritou: “pharmacia!”. A matéria ainda afirmava que as mulheres não se interessaram pelo jogo, preferindo namorar os atletas de Curitiba e os torcedores do Rio Branco.

O mesmo jornal, alguns dias depois, descrevendo uma tarde de domingo sem futebol e sem times de Curitiba, mais uma vez apresentou as mulheres como namoradeiras: as “gentis senhoritas e bellas meninas”, não podendo namorar os “foot-ballers da capital (como preferem) gosaram com jovens da terra”.

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