Indesejável hábito masculino

19 de fevereiro de 2020

Desde os textos sobre o Chafariz de Ferro, passando pelos artigos do carnaval e agora analisando o surgimento do futebol em Paranaguá, tento mostrar a chegada de um novo mundo: o projeto modernizador das elites locais buscava deixar para trás práticas, manias e hábitos indesejáveis e impor novos modelos de comportamento. Vimos isso quando proibiram a coleta da água da chuva (após a instalação do sistema de água potável encanada) e na proibição do entrudo e das mascaras no carnaval. Algumas práticas acabaram sumindo, não a partir de leis restritivas, mas devido a outros fatores: antigas brincadeiras substituídas pelo futebol. Por outro lado, alguns hábitos insistem em permanecer existindo, mesmo com todos os esforços para extingui-los e por mais horríveis que eles possam ser. Neste texto, peço licença para não comentar especificamente sobre o futebol, para falar um pouco disso.

Na edição de 15 de março de 1913, o jornal local denunciou “indivíduos mal educados a emporcalharem os passeios”, urinando sem o menor pudor nas calçadas e ruas da cidade. Um ano depois, na edição de 01 de abril de 1914, o mesmo jornal continuava a reclamar de homens usando a rua “como mictório público”. Parece inacreditável, mas no último “Banho à Fantasia” – mais de 100 anos depois – continuamos presenciando homens sem nenhuma educação urinando nas ruas, calçadas e paredes (mesmo com a Prefeitura disponibilizando banheiros pelo percurso).

Por conta disso, em nome da maioria dos homens – pois os porcos são a minoria –, peço desculpa se você (assim como eu e minha companheira) teve o desprazer de ver algum nojento urinando na rua. Também peço desculpas aos comerciantes, que precisaram limpar a frente do seu estabelecimento porque um asqueroso sem educação resolveu urinar ali.

Por Alexandre Camargo de Sant’Ana