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Kozo Kawata: 47 anos de história com o Porto de Paranaguá

29 de julho de 2017

Engenheiro vê no seu ofício uma maneira de contribuir com a cidade

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O trabalho é tema constante de conversas entre amigos e familiares e, muitas vezes, é alvo de reclamações seja pelas responsabilidades envolvidas, seja pelos obstáculos encontrados na trajetória profissional. Mas, para o senhor Kozo Kawata, engenheiro de 73 anos, o trabalho sempre foi sinônimo de alegria e satisfação. Isso se comprova quando o senhor muito disposto passa pelos corredores do seu local de trabalho, facilmente se percebe que todos os conhecem e o admiram. E não é para menos, o engenheiro é um dos mais antigos do Porto de Paranaguá e vê no seu ofício uma maneira de contribuir com o desenvolvimento da cidade.

A história profissional de Kozo se confunde com a própria história de crescimento e expansão do Porto de Paranaguá. O engenheiro chegou ao local em janeiro de 1970, uma época em que se detinha o monopólio das atividades portuárias e se dependia muito da mão de obra do trabalhador, tanto na área operacional, como na de manutenção.

Kozo conta que o trabalho no Porto é o primeiro e o único até agora em toda a sua vida. Quanto à possibilidade de se aposentar um dia, comprova o que não é difícil de deduzir. “O futuro a Deus pertence, quero viver o hoje sempre. O ontem traz lembranças boas e o futuro vai depender do que estamos fazendo hoje. A aposentadoria, em termos de ficar em casa, fora de atividades, não pensei ainda sobre isso. Fiquei quatro meses distante, mas percebi que me sinto mais feliz aqui no Porto”, relata Kawata.

Isso é justificado pelo que julga mais importante dentro da atividade que realiza. “O que mais gosto é a convivência, o tipo do trabalho e os resultados que vamos alcançando. O convívio é muito bom e o trabalho, à medida que a gente vê os frutos, traz mais satisfação”, enfatiza.

CANAL DA GALHETA

Em 1972, foram iniciados os estudos para a construção de um canal artificial de acesso ao porto – o Canal da Galheta, o que permitiu receber navios com até 10 metros de calado e mais de 50 mil toneladas de carga. Kozo participou da abertura do canal. “Fiquei embarcado vários meses, não acompanhei até o final, mas acompanhei o processo de dragagem, verificação das profundidades, volumes dragados e assim por diante. Isso foi muito importante para o Porto”, conta.

GRANDES CONTRIBUIÇÕES

O movimento geral de cargas passou de 2.700 toneladas em 1970 para 45 mil toneladas em 2016. Tudo isso foi possível graças às transformações realizadas na infraestrutura marítima e terrestre e na legislação por meio da Lei de Modernização dos Portos.

Kawata teve papel fundamental em todo esse processo. Hoje, realiza atividades na área de manutenção, elaboração de projetos, acompanhamento de obras entre outros. “Tenho uma área bastante voltada para o corredor de exportação leste e, mais recentemente, no corredor de exportação oeste, como uma extensão do modelo do lado leste”, afirmou.

Kozo foi um dos responsáveis pelas inovações operacionais do sistema de múltipla integração de terminais do corredor de exportação, que possibilitou que o Porto pudesse realizar operações de embarque com simultaneidade de três navios, seis shiploaders com capacidade para 1.500 toneladas por hora e seis terminais. Trata-se de um modelo único no Brasil que se comprovou de alta eficiência e operacionalidade. “Isso é muito gratificante para mim, eu vejo que foi uma boa contribuição e vejo resultados reais de toda a operação”, acrescenta.

O FUTURO

Daqui a 10 anos, Kawata enxerga o Porto com uma maior área de contêineres, o centro administrativo em um novo local e uma região dedicada a navios de passageiros no extremo oeste-sul.

 


“O Porto de Paranaguá é o pulmão de riquezas por onde o Paraná respira, pulmão que precisa crescer para o Estado crescer”, destaca Kawata

 

Um dos objetivos de Kawata é ver funcionar um projeto que ajudou a iniciar, que consiste em um sistema de cobertura de porão de navio para que possa operar com chuvas. “Está em curso a construção de um protótipo na escala 1:3 para ver se um dia vinga. Estou torcendo para dar certo e para que daqui a algum tempo Paranaguá venha a produzir manchetes que digam: o Porto de Paranaguá opera nos dias de chuva no embarque de granéis”, acrescenta.

O estudo ainda está em andamento, mas Kawata não desiste de ver o projeto inédito em todo o País ser aplicado em Paranaguá e replicado em outros locais. “Temos que persistir até um dia dar certo. Se alguém tentou e não deu certo não quer dizer que não possa dar um dia. O assistente do Thomas Alva Edison, quando na pesquisa que trouxe a lâmpada incandescente, disse assim: chefe, já tentamos 756 vezes, vamos desistir. E ele disse que não e, em mais de mil experimentos que não deram certo, veio a primeira lâmpada incandescente. Por isso, vamos persistir”, concluiu Kawata.

 

 


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