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Ilha dos Valadares: a vida do outro lado da passarela

29 de julho de 2017

Moradores relatam potencial turístico desse grande pedaço de Paranaguá

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A movimentada passarela que liga a Ilha dos Valadares ao continente mostra o quanto a edificação foi importante para o deslocamento da população. Isso não quer dizer que o transporte de barco tenha ficado para trás, este também é utilizado e oferece um elemento a mais para a imagem do Rio Itiberê durante a caminhada pela passarela. Com população composta por, aproximadamente, 30 mil pessoas, grande parte delas não abre mão de viver e trabalhar na Ilha.

Assim que se chega à Ilha dos Valadares pela passarela, nomeada de “Antônio José Sant’Anna Lobo Neto”, é possível observar a placa de entrega das obras de reforço das fundações e alargamento, ocorridas em 2003. Porém, a passarela foi inaugurada em 19991, pelo prefeito José Vicente Elias, com uma grande festa. Mais atrás, atualmente, encontra-se outra placa, datada de 29 de julho de 1999, no também aniversário de Paranaguá. Esta, por sua vez, de inauguração do Mercadinho de Frutas e Verduras “Jacó Rodrigues Soares” com o inscrito: “Cresce em importância a Ilha dos Valadares. Recebe a Comunidade Benfeitorias. Mercado de Frutas e Verduras, mais uma conquista dos insulanos”.

É nesse estabelecimento, reconhecido no final da década de 1990, que trabalha Ana Maria Ferreira Viana de França, que há cerca de 13 anos decidiu morar na Ilha. “Já trabalhava na Ilha antes de morar aqui. O que mais gosto são as pessoas, que são acolhedoras, o povo me recebeu muito bem, esse é o principal diferencial. Eu amo muito essa Ilha”, contou. O modo de vida dos insulanos, para Ana Maria, é melhor para quem lida com o comércio. “O contato com os clientes é muito mais próximo”, frisou.

 


“O que mais gosto são as pessoas, que são acolhedoras, o povo me recebeu muito bem”, contou Ana Maria, comerciante e moradora na Ilha

 

CRESCIMENTO POPULACIONAL

Os censos de 1980 e 1991, se comparados, mostram que a população da Ilha cresceu 77%. Entre os censos de 1991 e 2000, os números continuaram subindo, com crescimento de 66%. A região engloba a Vila Bela, que ocupa a região central, os bairros Sete de Setembro e Vila Rocio, no extremo Sul e os bairros Itiberê e Vila Nova no extremo norte.

Com o aumento considerável dos domicílios nos últimos anos, a região ganhou escolas, postos de saúde e comércios de vários tipos. A presidente de bairro na Ilha dos Valadares, Mirian Matias, atribui esse salto populacional dos últimos anos à vinda de pessoas de outros municípios. “Veio muita gente por especulação imobiliária, o preço baixo dos terrenos atraiu novos moradores. Com isso também veio o desenvolvimento, que melhorou bastante, hoje temos quatro creches, correio comunitário, atendimento do CRAS (Centro de Referência em Assistência Social), um colégio estadual que comporta cerca de dois mil alunos, dois postos de saúde”, mencionou Mirian.

 


Mirian é presidente de bairro na Ilha e elabora projetos para impulsionar o desenvolvimento da comunidade

 

A moradora e presidente de bairro nasceu e cresceu na Ilha dos Valadares e, segundo ela, o local é insubstituível. “O que mais gosto é o modo de vida, não troco isso por nada. Eu viajo para outros lugares, mas daqui eu não saio”, garantiu Mirian.

GRANDE POTENCIAL

O grande potencial da Ilha dos Valadares, o qual ainda é pouco explorado, é o turismo. Mirian relatou que muitos turistas visitam a sede da Associação dos Moradores em busca dos atrativos da região insulana. “Temos a Associação Mandicuera, que muitos vêm para conhecer, mas não sabem como chegar, tem toda essa parte cultural. Além da parte ambiental, que querem conhecer o mangue. Precisamos muito desse incentivo”, frisou Mirian.

Ideias não faltam para atrair o turista e fazer com que eles tenham novas experiências na Ilha e levem uma boa imagem do local na bagagem. A Associação de Moradores tem projetos, um deles o de capacitar adolescentes da Ilha com cursos de inglês para facilitar a comunicação com turistas de outros países. “O projeto já está elaborado, recebemos uma capacitação para isso. Temos o ‘Mar de Lá’ que pode ser aproveitado para o turismo. Seriam 20 adolescentes, os quais passariam por capacitação para conduzir bem os turistas e eles poderiam fazer um trabalho de caiaque e cicloturismo”, contou Mirian.

Uma das boas ideias nascidas na comunidade já está em andamento que é a expansão de uma cozinha comunitária. A demanda, segundo ela, existe, já que muitos visitantes querem conhecer a Ilha dos Valadares. Assim como os próprios moradores no continente, que muitas vezes não sabem o que existe do outro lado da passarela.

 

HISTÓRIA 

A PORÇÃO DE TERRA QUE VIROU ILHA

Segundo o livro “Ilha dos Valadares, História, Cultura e Meio Ambiente”, das autoras Janelize Felisbino e Cinthia de Sena Abrahão, consta na história que o Valadares não era uma ilha, mas uma porção de terra ligada ao continente por um istmo que acabou sendo rompido artificialmente ligando o Rio Itiberê ao dos Correias, formando o chamado Cidrão.


FAMÍLIA VALADARES

Não se tem registro na história sobre o período em que a família Valadares, que deu nome à localidade foi embora de Paranaguá, mas seriam eles praticantes do “comércio às escuras da mão de obra africana”. Segundo constam, por volta de 1830 a 1870 eles teriam vivido na localidade e aproveitavam a chegada dos navios negreiros na região.

 


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