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Guerra comercial aumenta área de soja sul-americana

19 de outubro de 2018

“Esse cenário da demanda pela soja norte-americana em comparação à da América do Sul, acaba sendo um incentivo"

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Um relatório desenvolvido pela consultoria INTL FCStone indicou que a guerra comercial travada entre a China e os Estados Unidos acabou estimulando o aumento da área de soja planta na América do Sul. De acordo com o relatório, a grande demanda da China irá beneficiar a produção de soja brasileira e argentina. 

“Esse cenário da demanda pela soja norte-americana em comparação à da América do Sul, em especial a brasileira, acaba sendo um incentivo ao cultivo da oleaginosa, mesmo num contexto geral de oferta elevada, com estimativas de estoques mundiais em 110,04 milhões de toneladas, de acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)”, diz o texto. 

Nesse cenário, a China está evitando ao máximo adquirir a soja norte-americana, principalmente depois que a tarifa de retaliação de 25% sobre a oleaginosa dos EUA entrou em vigor. Isso fez com que as estimativas estadunidenses fossem alteradas, caindo de 62,3 milhões de toneladas para 56 milhões de toneladas. 

“Não se espera que essa queda da demanda pelo grão norte-americano seja plenamente compensada pela compra em outros países, como o Brasil. A China está se ajustando para evitar ao máximo a compra de soja dos EUA, já tendo reduzido suas estimativas de importações para 84,66 milhões de toneladas, uma queda de pouco mais de 9 milhões de toneladas em relação ao número anterior e ao estimado pelo USDA”, explica. 

Contudo, no mês de novembro ocorrerá uma eleição de meio mandato nos EUA, que pode diminuir o número de parlamentares aliados do presidente Trump, o que resultaria em um possível acordo entre os dois países. “Outra possibilidade seria ocorrer algum problema durante o desenvolvimento da safra da América do Sul, principalmente no Brasil, que restringisse a oferta de maneira significativa”, conclui.

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